Sedese, FJP e Dieese lançam a nova Pesquisa de Emprego e Desemprego

Nova estrutura traz a aplicação de um Plano Amostral, com representação dos 34 municípios da RMBH, e a divulgação em bases sub-metropolitanas
Retratar as novas características do mercado de trabalho, trazer à luz as demandas sociais e subsidiar políticas públicas que apostem no desenvolvimento são os principais propósitos da Nova Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Nova PED-RMBH), apresentada na terça-feira (1/12), na Cidade Administrativa, pela Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), Fundação João Pinheiro (FJP) e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Ao anunciar a nova estrutura e metodologia da PED-RMBH, a coordenadora Técnica do Sistema PED, Lúcia Garcia, destacou algumas novidades importantes, como a aplicação de um Plano Amostral que representará os 34 municípios da RMBH e sua divulgação em bases sub-metropolitanas.
Isso significa, explicou o economista do Dieese Fernando Duca, que, além da divulgação dos dados gerais, representando toda a Grande BH, serão publicadas informações sobre três domínios de interesse: o município pólo de Belo Horizonte, o Vetor de Expansão Industrial (Betim e Contagem) e o Vetor Norte Expandido (Vespasiano, Santa Luzia, Ribeirão das Neves e Lagoa Santa).
Essas novidades vão permitir, na avaliação de Duca, mais compreensão sobre a dinâmica econômica da Região Metropolitana de Belo Horizonte. A pesquisa apontou que, juntos, esses três domínios de interesse são responsáveis por 86,1% do PIB do estado e abrigam 82,1% da população de Minas Gerais.
Outra inovação vital da nova PED é a estratégia de aplicação do novo questionário, frisa Lúcia Garcia. A pesquisa terá um questionário base fixo e questionários complementares, que podem ser aplicados em períodos específicos do ano. Além disso, há os questionários suplementares, para a discussão de temas regionais, por exemplo.
Em resumo, a organização do novo questionário terá um núcleo, blocos complementares e suplementares, lembrando que nem sempre os suplementares serão usados. Como exemplo, Lúcia Garcia citou que escolaridade é algo que se deve investigar mensalmente, mas, cotas para negros é um detalhe que pode ser averiguado uma vez por ano. O núcleo básico da PED, afirma, é aquilo que se altera conjunturalmente, de um mês para o outro.
Arranjo realista
A pesquisadora lembrou que a PED-RMBH foi feita ao longo de 35 anos, desde a década de 1980, tendo sido interrompida em junho de 2014. Tivemos a tranquilidade, a sabedoria, de avaliar o processo para retomar a PED com um avanço qualitativo e em bases que garantem um arranjo mais realista para os parceiros. É óbvio que a interrupção é ruim para a série histórica. Mas, uma vez que encontramos o processo interrompido, preferimos retomá-lo com cuidado, para que não padeça dos equívocos do passado. Incluímos a PED como ação no Orçamento, como política pública, disse o secretário de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social, André Quintão.
As diferenças entre a pesquisa que se fazia e a nova PED, garante Lúcia Garcia, é que o trabalho que se inicia agora permitirá entender a formação da renda das famílias que vivem na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Vamos saber exatamente como as pessoas vivem e trabalham na RMBH. A antiga metodologia tinha um custo elevado e a plataforma não era flexível. Agora, com a possibilidade de articulação de temas, a PED se enriquece muito em qualidade, reafirma.
Para o presidente da FJP, professor Roberto do Nascimento, um dos grandes avanços da nova metodologia é exatamente essa plataforma flexível, que introduz a possibilidade de subsidiar o desenho de políticas públicas, em especial, para o mercado de trabalho. Nos permite acompanhar o movimento, a tendência de mudança e a velocidade, pondera.
Foi uma luta muito grande de todos, para voltar com mais força, de forma mais assertiva, dando respostas mais urgentes à sociedade mineira, atestou o coordenador regional do Dieese em Minas Gerais, Paulo Henrique Santos Fonseca, sobre a apresentação da nova PED.