ESTUDANTES DA FJP CRIAM PLATAFORMA DIGITAL PARA PROMOVER INTERAÇÃO ENTRE STARTUPS E ÓRGÃOS PÚBLICOS ESTADUAIS

Nós acreditamos em inovação e governo como grandes catalisadores de mudanças na sociedade. Esse é o slogan da Junto, plataforma digital criada por quatro estudantes do Curso de Administração Pública (Csap) da Fundação João Pinheiro (FJP). Iniciado em 2016, o projeto visa a promover a interação entre iniciativas inovadoras - as chamadas startups - e órgãos públicos estaduais.

Com a proposta de, por meio de parcerias, aliar essas novas ferramentas ao amplo potencial de alcance da administração pública, os fundadores da Junto, Pedro Andrade, Ana Elisa Fonseca, Gustavo Pedroso e Christopher Simon, buscam empresas, projetos ou ideias que possam contribuir para a melhoria dos serviços públicos ao mesmo tempo em que procuram no governo estadual parceiros que queiram ampliar a efetividade de suas ações.
De acordo com Pedro Andrade, o setor público detém a capacidade de causar um efeito em grande escala na sociedade, o que pouquíssimas organizações possuem. Já as startups, segundo ele, têm mecanismos de entrega, eficiência e inovação significativos, com alto potencial de crescimento e impacto, geralmente com intuito de resolver problemas públicos reais.
A Junto surgiu pensando em integrar esses dois atores, por meio de parcerias e compras governamentais, para resolver questões pertinentes nas áreas de saúde, educação, desenvolvimento econômico e tantas outras temáticas de que o Estado trata, explica. Há experiências nacionais e internacionais que tiveram sucesso na junção desses dois agentes promotores de desenvolvimento. Queremos repetir esse modelo em Minas Gerais, afirma o estudante.
Segundo Christopher Simon, o potencial de impacto da iniciativa é grande, uma vez que seu foco está justamente em substituir os modelos antiquados que acabam gerando a ineficiência da máquina pública e, em consequência, o desperdício do recurso do cidadão. A Junto é uma plataforma de inovação voltada para trazer projetos que possam criar impacto social para dentro do Estado de Minas Gerais. É simples: o objetivo é facilitar a integração dessas ideias ao meio público a partir de estudantes que conheçam a realidade das ações governamentais, explica.
Já para a estudante Ana Elisa Fonseca, é preciso compreender que a inovação faz parte do cotidiano dos cidadãos e não pode ser vista como algo distante. A inovação é a maior responsável pelo aumento da eficiência nas empresas, nos hospitais, nos restaurantes etc. A Junto se propõe a ampliar esses esforços no Estado, diz. Seu colega Gustavo Pedroso também acredita que, com recursos cada vez mais escassos para atender às demandas crescentes da sociedade, a inovação é uma boa alternativa para os problemas enfrentados. Promovendo o estímulo à inovação, é possível casar as soluções tecnológicas com as demandas do setor público, observa.
Parcerias
A Junto firmou parceria com o Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (Seed), programa do Governo de Minas de apoio a empreendedores nacionais e estrangeiros que desenvolvam projetos de negócio de base tecnológica em Minas Gerais. A plataforma criada pelos estudantes vai auxiliar o Seed na apresentação das startups aceleradas pelo programa aos órgãos governamentais com os quais elas possam se relacionar para serem utilizadas e divulgadas.
Para Andréa Motta, responsável pelas parcerias do Seed, a Junto surge como uma excelente parceira por trazer ao ambiente político as inovações que estão sendo produzidas e podem também solucionar problemas de gestão pública, demonstrando caminhos inovadores para a condução eficiente das políticas públicas em vários setores. Um exemplo desse trabalho é a mediação da equipe da Junto com empreendedores de startups do Seed que fornecem soluções inteligentes para problemas de interesse da gestão pública como educação, acessibilidade, transporte e gestão de resíduos, afirma. A equipe identifica os atores/tomadores de decisão no governo e faz um trabalho de conexão deles com as soluções das startups, facilitando muito o início de um diálogo que poderia demorar bastante tempo sem a ajuda da Junto, explica ela.
Um bom exemplo da parceria é o apoio da Junto à Signa, startup que está sendo acelerada pelo Seed e que oferece cursos virtuais de capacitação para o mercado de trabalho a pessoas com deficiência visual e auditiva. Com uma plataforma adaptada e cursos produzidos didaticamente em libras e com legendas, a Signa também atua junto a empresas para o recrutamento e a integração dessas pessoas no ambiente de trabalho. A Junto apresentou a Signa à Coordenadoria Especial de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência (Caade), órgão da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac). Eles gostaram da ideia e, além de ajudar na divulgação da plataforma, também vão disponibilizar contatos e analisar a possibilidade de novas parcerias para a oferta dos cursos, conta Pedro Andrade.
Andréa Motta acredita que uma das maiores dificuldades para as startups que oferecem alguma solução para o governo, em qualquer nível, é o acesso aos tomadores de decisão. É nesse gargalo que a atuação da Junto é fundamental. Para ela, outro desafio é o processo burocrático para a aquisição de qualquer serviço ou produto pelo governo, que geralmente licita e decide pelo menor preço. Muitas vezes moroso e ineficiente, esse processo impede que se adquiram tecnologias mais inovadoras, já que ocorre por simples comparação de preços e não pela qualidade e eficiência da solução, explica. Acredito que a Junto pode ajudar a orientar os tomadores de decisão para que soluções tecnológicas inovadoras sejam consideradas pelo grau de potencial impacto que podem gerar para a gestão pública e o bem coletivo, conclui.
Conexão
Outra parceria firmada pela Junto foi com o projeto Malalai, startup que se propõe a doar dispositivos para mulheres de baixa renda em situação de violência doméstica e trabalhar para que esses dispositivos possam acionar a Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180, de forma mais ágil. A doação será viabilizada por meio de um sistema X by 1, em que a cada número x de dispositivos vendidos um será doado. Ainda não temos essa proporção, pois é provável que a produção só tenha início no ano que vem, explica a fundadora da Malalai, Priscila Gama.
Segundo ela, a ideia estava temporariamente arquivada por falta de parceiros e de acesso às informações relativas ao número de mulheres em situação de violência com benefício de medida protetiva. A Junto iniciou um processo mais eficaz ao nos conectar à Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, órgão estadual à frente das ações em defesa da mulher. E o melhor é que, em nível estadual, temos a possibilidade de ampliar nossa atuação, planeja.
Priscila conta que, nas próximas semanas, a Malalai vai lançar na web um mapeamento colaborativo de rotas de risco para o qual qualquer pessoa poderá fornecer informações sobre os caminhos: ruas movimentadas, má iluminação, assédio recorrente, pontos comerciais abertos, presença de porteiro/segurança ou posto policial. O mapa poderá ser consultado em tempo real e, assim, será possível que a mulher escolha o caminho considerado mais seguro, descreve. Dessa forma, criaremos um banco de dados úteis para elevar a eficácia de medidas do poder público: por exemplo, informações sobre assédio em determinada rota serão bastante relevantes para reforço de policiamento, analisa.
A plataforma Junto pode ser acessada pelo endereço http://govjunto.org. Lá empreendedores podem cadastrar iniciativas julgadas inovadoras para o serviço público e agentes públicos podem solicitar soluções para ampliar a efetividade de suas ações. Queremos que a Junto seja uma de muitas iniciativas com objetivo de fomentar a inovação no setor público mineiro, interagindo cada vez mais com o ecossistema de empreendedorismo e inovação em ascendência hoje em Minas Gerais, finaliza Pedro Andrade.