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Análise de voz pode indicar fadiga no trabalho

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Pesquisa de doutorado de perita da Seplag avalia elementos da fala que podem atuar como fator de estresse em professores e pilotos de avião

Instrumento de trabalho essencial para várias profissões, a voz pode indicar também sinais de fadiga. A hipótese faz parte de um estudo que vem sendo desenvolvido no programa de doutorado em neurociência da UFMG pela fonoaudióloga Carla Vasconcelos, perita da Superintendência Central de Perícia Médica e Saúde Ocupacional, vinculada à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag).

Uma das principais aplicações do estudo será na perícia feita junto aos professores da Secretaria de Estado da Educação, podendo determinar até mesmo o grau de estresse desses profissionais. As disfonias, como a rouquidão, e a sonolência observadas nas vozes dos professores podem determinar o grau de fadiga a que esses profissionais estão passando, além de indicar tratamentos preventivos que evitem licenças médicas, reduzindo um custo significativo para o Estado e melhorando a saúde dos servidores, explica Carla.

De acordo com a Seplag, uma média de 324 professores iniciaram afastamentos por mês no ano de 2015 devido a problemas vocais. A rotatividade, gerada pela substituição dos professores que foram afastados, é um fator a ser considerado tendo em vista o tempo de adequação do aluno ao novo professor. Ademais, as doenças nas cordas vocais é o segundo motivo de ajustamento funcional dos professores, afirma a superintendente de Perícia Médica e Saúde Ocupacional, Mirelle Gonçalves.

Pilotos de avião

A análise de voz também será importante para a Aeronáutica avaliar um eventual cansaço dos pilotos em acidentes aéreos. Vários elementos presentes na voz dos pilotos podem indicar fadiga: sonolência, duração e frequência de pausas durante a fala e o tempo que o piloto demora para responder ao controle de tráfego aéreo. A previsão é que o Cenipa (órgão da Aeronáutica que investiga os acidentes aéreos) comece a utilizar a análise de voz nas investigações a partir de 2017.

O estudo de Carla Vasconcelos irá comparar a voz de um piloto em um dia de folga, ou seja, quando não estiver se sentindo cansado com a voz desse mesmo piloto depois de uma intensa jornada de trabalho. O objetivo, segundo ela, é avaliar entre cem e mil pilotos brasileiros durante a pesquisa, que foi iniciada em março deste ano.