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Governo de Minas anuncia regulamentação do requeijão moreno e impulsiona economia do Vale do Mucuri

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O governador, Mateus Simões, oficializou Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade em Teófilo Otoni, abrindo caminho para que a iguaria seja comercializada em todo o país
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A nova regulamentação define padrões de produção, boas práticas de fabricação e normas de segurança sanitária

O tradicional requeijão moreno do Vale do Mucuri está prestes a conquistar novos horizontes e ganhar espaço no mercado nacional. Nesta quinta-feira (21/05), em Teófilo Otoni, o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, oficializou o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) da iguaria centenária — um marco histórico para produtores da região. 

A oficialização do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) ocorreu na Praça Tiradentes, durante vistoria à Praça de Serviços - Governo Presente, iniciativa que transferiu simbolicamente a capital mineira para o município.

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O regulamento abre caminhos também para a formalização das agroindústrias familiares

 

A nova regulamentação define padrões de produção, boas práticas de fabricação e normas de segurança sanitária, preservando o modo artesanal e secular de preparo do requeijão. Com isso, depois que os produtores cumprirem o regulamento, eles têm a possibilidade de vender o produto —  que hoje circula apenas nos Vale do Mucuri —  para consumidores de todo o país.

"Com isso, nós vamos poder passar a vender requeijão moreno do Mucuri no Brasil inteiro, em supermercados até. Uma coisa que era impossível até então, e que vai gerar muito orgulho para a gente. O reconhecimento dos Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal tem gerado uma melhora de vida aos produtores mineiros. E vamos ver o mesmo acontecer com o requeijão moreno do Mucuri", disse o governador.

O RTIQ abre caminhos também para a formalização das agroindústrias familiares e a emissão das primeiras habilitações sanitárias específicas do produto. “A iniciativa representa um avanço para a economia regional. A medida promove agregação de valor à produção leiteira, fortalece a cadeia produtiva e estimula a geração de emprego e renda no Vale do Mucuri”, disse o secretário de estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes. 

A regulamentação representa, ainda, a valorização do patrimônio cultural e gastronômico da região. 

Ação conjunta

A construção do regulamento é fruto de uma ação conjunta. Após receber, em 2023, a reivindicação  da Associação dos Produtores de Queijo da Microrregião da Serra Geral para a regulamentação dos requeijões morenos de Minas Gerais,  o Governo de Minas, por meio da a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) iniciou a análise técnica e jurídica do pedido. A partir daí, foram realizadas pesquisas científicas para embasar a elaboração do regulamento.

Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig)  validou estudos científicos, garantindo segurança técnica e confiabilidade aos dados que serviram de base para o processo regulatório conduzido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).

Em seguida, o IMA iniciou a elaboração da minuta do RTIQ, que foi disponibilizada para consulta pública. 

O gerente de inspeção de produtos de origem animal do IMA, Rômulo Lage, destaca que, além dos benefícios para os produtores, a regulamentação garante segurança para os consumidores. “Eles poderão adquirir o produto com a certeza de que é elaborado da forma correta, respeitando todo o procedimento que as pesquisas mostraram ser a forma certa, com parâmetros físico-químicos e microbiológicos”, ressaltou.

Sabor levemente defumado

O Requeijão Moreno do Vale do Mucuri possui características  que o diferenciam dos demais Queijos Artesanais de Minas. Ele tem consistência firme, coloração que varia do amarelo ao marrom e sabor levemente defumado.

O modo de fazer envolve o uso leite cru coagulado naturalmente, obtido a partir da fusão entre creme de leite cozido e massa de coalhada dessorada e lavada. O processo inclui etapas de coagulação, aquecimento, lavagem da massa e incorporação do creme cozido.  A iguaria está presente há séculos na cultura e na formação social do Vale do Mucuri. 

Produção familiar

O Requeijão Moreno do Vale do Mucuri é produzido em Ataléia, Catuji, Franciscópolis, Frei Gaspar, Itaipé, Ladainha, Malacacheta, Novo Oriente de Minas, Ouro Verde de Minas, Pavão, Poté, Setubinha e Teófilo Otoni.

No total, 76 agroindústrias familiares da região são responsáveis pela produção de 91,4 toneladas de requeijão moreno por ano, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais Emater-MG.

Sonho realizado

Durante a solenidade, a produtora Neusa Lopes, de Malacacheta, recebeu a medalha  de prata do Mundial do Queijo do Brasil, na categoria Requeijão Moreno, premiação chancelada pela  SerTãoBras, associação brasileira sem fins lucrativos que atua na valorização da cadeia produtiva de alimentos artesanais.

“O regulamento é um sonho realizado, um marco na minha vida. Poderemos vender para todo o Brasil”, declarou a produtora, que conta que o requeijão faz parte das próprias vivências desde a infância e que, adulta, ela começou a produzir com o marido, o que ela já faz há 27 anos. 

Neusa passou a vender o requeijão moreno na feira da cidade, onde ganhou fama. Em 2024,  o casal conquistou a medalha Super Ouro, na mesma categoria Requeijão Moreno do Mundial do Queijo do Brasil, e em 2025 recebeu, em Araxá, a medalha de prata no Expoqueijo Brasil 2025, que tem coordenação técnica e curadoria do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), da Epamig, e da Seapa.

 

Jornalista responsável: Márcia Queiroz

Fotos: Diego Vargas/Seapa

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