Conafe alerta para redução do consumo de feijão e propõe ações de valorização do alimento
A abertura do 14º Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe) ontem (27/05), em Belo Horizonte, teve como pauta a redução do consumo de feijão no Brasil e a discussão de propostas para tornar o alimento mais presente na mesa dos brasileiros. Pesquisadores alertaram para a importância do feijão na alimentação e para os impactos da mudança de hábitos da população, que vem substituindo refeições preparadas em casa por alimentos prontos ultraprocessados.
O evento, que nesta edição tem organização da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), com o apoio da Embrapa Arroz e Feijão, prossegue até amanhã (29 de maio), na Cidade Administrativa. Participaram da abertura o secretário-adjunto de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, João Ricardo Albanez, o diretor de Pesquisa e Inovação da Epamig, Trazilbo de Paula, e o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Adriano Castro.
Na palestra “Feijão: alimento promotor de saúde”, o professor do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Rafael Claro, destacou a importância do consumo de feijão para a saúde humana, tendo como contraponto a queda no consumo per capita no Brasil.
“Nosso desafio é promover a alimentação saudável. O percentual de consumo de feijão no Brasil vem caindo e isso passa por mudanças de hábitos, redução no preparo de alimentos em residências e aumento do consumo de ultraprocessados”, ponderou.
O consultor da Jacto Group Tsen Chung Kang abordou o tema “Agricultura, Inovação e Saudabilidade” e chamou a atenção para a importância da adequação de ações e pesquisas à saudabilidade da população. “A ideia é aliar a agricultura com o alimento e a saúde”, avalia.
Consumo
Durante o painel Consumo do Feijão, Marcelo Lüders, do Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses, defendeu que a queda no consumo de feijão não se deve à perda de relevância, mas sim ao imediatismo. “O consumidor conhece os benefícios do grão. O feijão perdeu espaço para a conveniência, não para outro alimento”, argumentou.
Lüders, que lidera o movimento Viva o Feijão, apontou ações que podem levar à retomada do consumo. “Temos que promover o prato feito brasileiro, que é a combinação com o arroz; e valorizar o terroir, o consumidor precisa saber que cultivares, condições e região de cultivo impactam no sabor”.
A palestra Primórdios da Cozinha Mineira, ministrada pela assessora de Pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Vani Pedrosa, que apresentou uma pesquisa desenvolvida pelo Sistema Fecomércio MG que propõe uma reflexão sobre a importância histórica, cultural, nutricional e gastronômica desta semente ao longo do tempo.
O trabalho rendeu mais de 10 anos de estudos em diferentes territórios mineiros, especialmente nas comunidades quilombolas, onde a produção associada à ancestralidade, ao ritual, à coletividade e à preservação cultural.
“O que identificamos, especialmente nas comunidades tradicionais, é que existe um saber técnico e cultural extremamente sofisticado e superior ao que conhecemos no uso diário, como o 'feijão com arroz'. Isso conversa com temas atuais da gastronomia mundial, como sustentabilidade, identidade, saudabilidade, tradição e inovação”, aponta Vani.
Após a apresentação, o Senac promoveu uma degustação especial, com receitas contemporâneas, incluindo bolinhos de feijão e um brownie de feijão com arroz .
A programação foi encerrada com o painel Sistemas de comercialização e oportunidades internacionais que discutiu dinâmicas e possibilidades nos mercados interno e externo. As atividades prosseguem na quinta-feira (28), com a realização de painéis que discutirão Melhoramento Genético, Mosca Branca e Fitopatologia de sementes.
Jornalista responsável: Mariana Vilela Penaforte de Assis
Fotos: Erasmo Pereira - Ascom /Epamig