Casal investe na apicultura no Vale do Jequitinhonha
Da indústria de equipamento médico para a apicultura. Essa é a trajetória do produtor Gilberto Souza, de Felisburgo, no Vale do Jequitinhonha. Em 2018, por meio de um cunhado, que também é apicultor, ele teve o primeiro contato com as abelhas Apis mellifera e desde então, com a ajuda da esposa, Natália Lacerda Magalhães, procurou saber mais sobre a apicultura e apostou no setor. Hoje, depois de muita persistência, dedicação e aprimoramento, o casal produz, em média, uma tonelada de mel por ano.
“Fui me identificando com o ramo e decidi montar o apiário junto com meu cunhado. Eu e Natália fizemos diversos cursos sobre o manejo das abelhas, de extração do mel, dentre outros. A nossa vontade era sempre melhorar”, conta Gilberto. A produção inicial era totalmente artesanal e o baixo retorno financeiro não cobria as despesas do investimento realizado. Para não abandonar a atividade, Gilberto voltou a trabalhar no setor industrial, enquanto a esposa continuou no apiário.
“Em 2024, me aposentei e retornei disposto a colocar em prática todo o conhecimento já adquirido sobre produção de mel e com o respaldo da minha experiência administrativa na área industrial. Encerrei a sociedade com meu cunhado, continuando apenas com Natália”, relata.
Regularização e desafios
A reforma de um pequeno espaço na fazenda Córrego Seco deu origem à Taia e Gil Apicultura. Com o objetivo de fornecer um produto de qualidade, os proprietários buscaram a certificação e o manejo sustentável.
“Enfrentamos muitas dificuldades, mas, mesmo assim, não desistimos e fizemos tudo que foi determinado pelo Consórcio Intermunicipal e Multifinalitário do Baixo Jequitinhonha (Cimbaje). Com minha formação em Processos Químicos, assumi a responsabilidade técnica da nossa empresa. Recebemos a certificação de extensão do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e agora aguardamos o certificado do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi)”, comemora o apicultor.
Gilberto destaca que o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) foi fundamental para o cadastramento no Cadastro Nacional de Agricultura Familiar (CAF) e no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Comercialização
De acordo com o apicultor, a busca por alimentos saudáveis e sem aditivos químicos tem impulsionado o crescimento do setor. A comercialização de mel, extrato de própolis e hidromel é realizada em lojas especializadas e por meio das mídias sociais. “Estamos aguardando visita técnica para comercializar pela plataforma de vendas da Emater-MG, a ÉdoCampo, e também negociando para participar da feira mensal na Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte”, diz o produtor.
Inspiração
Os extensionistas da Emater-MG Miguel Ferreira Morais e Gilson Rodrigues explicam que a persistência e a dedicação do casal foram fundamentais na escolha da propriedade para realizar o treinamento com jovens apicultores participantes do programa Futuro no Campo.
“A iniciativa reforça o compromisso da Emater-MG em capacitar novas gerações, promover a sucessão rural e fortalecer a apicultura como atividade econômica sustentável e de alta qualidade em Minas Gerais”, declara Miguel Ferreira.