Mãos que retratam o sertão de Guimarães Rosa
No distrito de Andrequicé, em Três Marias (MG), um grupo de nove mulheres encontra no artesanato uma forma de preservar a cultura local e garantir sustento. Conhecidas como Bordadeiras de Andrequicé, elas produzem peças como painéis, capas de almofadas, colchas, agendas e roupas inspiradas nas paisagens do sertão mineiro e na obra do escritor João Guimarães Rosa.
Uma das fundadoras do Bordadeiras, Márcia Alves de Macedo conta que o grupo nasceu da iniciativa de seis artesãs. “Decidimos produzir peças que valorizam nossas tradições locais. Em 2003, durante a Semana Cultural Festa de Manuelzão, evento realizado anualmente no distrito para celebrar a cultura sertaneja e a figura de Manuelzão, um dos personagens principais de João Guimarães Rosa, nasceu o grupo Bordadeiras de Andrequicé”, lembra.
Com o crescimento do projeto, as bordadeiras passaram a comercializar as peças na Casa Venda das Bordadeiras de Andrequicé, além de participar de feiras regionais e eventos em outros estados.
Parceria
A Sociedade dos Amigos do Memorial Manuelzão e de Revitalização de Andrequicé (Samarra) é parceira do grupo. A coordenadora da entidade, Lidijane Gonçalves dos Reis, reforça a importância do trabalho. “Proporciona sustentabilidade econômica e valoriza a cultura local ao utilizar as histórias de Guimarães Rosa e do sertão para ilustrar as peças”.
Márcia Alves destaca que os encontros semanais proporcionam momentos de descontração, troca de experiências e crescimento pessoal. "Graças ao apoio da Samarra, a assistência técnica da Emater-MG e a união do grupo, estamos levando nosso trabalho para outros lugares e pude realizar o sonho de andar de avião”, relata.
Para o futuro, elas desejam conseguir mais parcerias para o fortalecimento do trabalho.
Assistência técnica
De acordo com a extensionista da Emater-MG Poliana Guimarães Ribeiro, a empresa tem realizado trabalhos para apoiar e orientar as artesãs.
“Auxiliamos na confecção das carteirinhas de artesãs e incentivamos a participarem de feiras. Além disso, realizamos o cadastramento no Ruralidade Viva, catálogo produzido pela Emater que contém produtos e experiências turísticas da agricultura familiar e de produtores rurais. A inclusão no catálogo é importante para a preservação da cultura, do desenvolvimento econômico e fortalecimento da identidade cultural da região”, destaca.
Jornalista responsável: Gisele Flor
Fotos; Divulgação/Emater