Mulheres do Jaíba
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A MULHER AGRICULTORA FAMILIAR NO PROJETO JAÍBA
Maria Adelci de Souza
Economista Doméstica, Extensionista de Bem estar Social EMATER- MG, Projeto Jaíba
Comenta-se que, na Itália, a mulher rural trabalhava na colheita do linho e que no mês que antecedia a colheita eram tomadas por uma febre chamada “febre do linho”, tamanha era a rejeição que as acometiam. Eram desrespeitadas, submissas e obrigadas a desenvolver as tarefas mais insalubres e desagradáveis. Faziam comparações infundadas, dizendo que era mais barato manter uma mulher como transportadora de carga do que uma mula.
No Brasil a realidade da mulher trabalhadora rural também não era fácil, nem tão diferente, além da constante renúncia em favor do homem e da família, não tinham direito à herança e ao voto.
Em Caxias do Sul, uma pesquisa realizada pela professora Loraine Slamp Giron, da Universidade de Caxias do Sul, no final do século XIX, concluiu que as mulheres trabalhavam em média 16 horas dia e que 80% das atividades executadas por elas não geravam renda, e que os homens tinham o domínio do dinheiro.
A mulher trabalhadora rural, com medo do destino de suas filhas, não se esforçava para retirá-las da permanência em trabalhos na agricultura.
Na década de 80, no entanto, com a promulgação da Constituição de 1988, algumas conquistas foram germinando com força maior. Isso contribuiu para o reconhecimento e viabilização da agricultura familiar na tentativa compensatória de aliviar as marcas das injustiças passadas. Políticas públicas, como o PRONAF, que entrou em execução em 1995, foram propostas com objetivo de fortalecer a agricultura familiar tendo como foco os agricultores e suas diversas formas organizacionais. A proposta do programa contribuiu também para amenizar as desigualdades de gêneros, mesmo que de forma acanhada; mas evolutiva.
No Projeto Jaíba, com o trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural executado pelos profissionais da EMATER-MG, com ações voltadas para o desenvolvimento rural sustentável, a participação da mulher se evidencia não só na unidade familiar mas também nas suas formas associativas, nas linhas de crédito e comercialização da produção. Outro fato importante observado é a permanência dos jovens no Projeto, inclusive, constituindo famílias como novas unidades familiares produtivas independentes.
Exemplo disso é o jovem casal Jair de Souza, 30 anos, e Madalena de Souza de 20 anos, ambos filhos de agricultores familiares do Projeto, que concluíram o segundo grau, casaram-se, adquiriram o lote agrícola (Área A , lote 148) e optaram em permanecer naquele local. Em uma conversa com a extensionista da EMATER-MG a Madalena, ao receber os seus certificados de participação em capacitações na área de Segurança Alimentar, promovidas pela EMATER-MG, financiadas pelo Programa Minas Sem Fome, declarou essa sua satisfação, sorridente, dizendo: “agora estou muito feliz no que é nosso... a vida aqui é dura, mas é muito bom ver a plantação produzir e saber que é da gente”. Comentou ainda a Madalena, “que é no Projeto Jaíba que o casal quer criar seus filhos e ensiná-los a gostar da terra como eles gostam”.
Maria Adelci de Souza
Economista Doméstica, Extensionista de Bem estar Social EMATER- MG, Projeto Jaíba
Comenta-se que, na Itália, a mulher rural trabalhava na colheita do linho e que no mês que antecedia a colheita eram tomadas por uma febre chamada “febre do linho”, tamanha era a rejeição que as acometiam. Eram desrespeitadas, submissas e obrigadas a desenvolver as tarefas mais insalubres e desagradáveis. Faziam comparações infundadas, dizendo que era mais barato manter uma mulher como transportadora de carga do que uma mula.
No Brasil a realidade da mulher trabalhadora rural também não era fácil, nem tão diferente, além da constante renúncia em favor do homem e da família, não tinham direito à herança e ao voto.
Em Caxias do Sul, uma pesquisa realizada pela professora Loraine Slamp Giron, da Universidade de Caxias do Sul, no final do século XIX, concluiu que as mulheres trabalhavam em média 16 horas dia e que 80% das atividades executadas por elas não geravam renda, e que os homens tinham o domínio do dinheiro.
A mulher trabalhadora rural, com medo do destino de suas filhas, não se esforçava para retirá-las da permanência em trabalhos na agricultura.
Na década de 80, no entanto, com a promulgação da Constituição de 1988, algumas conquistas foram germinando com força maior. Isso contribuiu para o reconhecimento e viabilização da agricultura familiar na tentativa compensatória de aliviar as marcas das injustiças passadas. Políticas públicas, como o PRONAF, que entrou em execução em 1995, foram propostas com objetivo de fortalecer a agricultura familiar tendo como foco os agricultores e suas diversas formas organizacionais. A proposta do programa contribuiu também para amenizar as desigualdades de gêneros, mesmo que de forma acanhada; mas evolutiva.
No Projeto Jaíba, com o trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural executado pelos profissionais da EMATER-MG, com ações voltadas para o desenvolvimento rural sustentável, a participação da mulher se evidencia não só na unidade familiar mas também nas suas formas associativas, nas linhas de crédito e comercialização da produção. Outro fato importante observado é a permanência dos jovens no Projeto, inclusive, constituindo famílias como novas unidades familiares produtivas independentes.
Exemplo disso é o jovem casal Jair de Souza, 30 anos, e Madalena de Souza de 20 anos, ambos filhos de agricultores familiares do Projeto, que concluíram o segundo grau, casaram-se, adquiriram o lote agrícola (Área A , lote 148) e optaram em permanecer naquele local. Em uma conversa com a extensionista da EMATER-MG a Madalena, ao receber os seus certificados de participação em capacitações na área de Segurança Alimentar, promovidas pela EMATER-MG, financiadas pelo Programa Minas Sem Fome, declarou essa sua satisfação, sorridente, dizendo: “agora estou muito feliz no que é nosso... a vida aqui é dura, mas é muito bom ver a plantação produzir e saber que é da gente”. Comentou ainda a Madalena, “que é no Projeto Jaíba que o casal quer criar seus filhos e ensiná-los a gostar da terra como eles gostam”.
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