Segundo dia do V Seminário de Políticas Públicas encerra ciclo de debates sobre Crédito Rural e Seguro Agrícola
Chegou ao fim nesta quinta-feira (29/10), com o segundo dia do V Seminário de Políticas Públicas para o Setor Rural, o ciclo de debates sobre Crédito Rural e Seguro Agrícola, promovido pela Superintendência de Inovação e Economia Agropecuária da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), com a parceria da Emater-MG, empresa vinculada à pasta.
Iniciada em setembro, a programação virtual que teve como objetivo propor uma reflexão aprofundada sobre a importância destas políticas públicas e analisar os desafios para o futuro, contou, ainda, com três eventos regionais da Rodada Agro Minas. O segundo dia do V Seminário alcançou audiência de mais de 450 pessoas e, no total, os cinco dias de debates contabilizaram mais de 3 mil visualizações.
Carlos Eduardo Bovo, superintendente de Inovação e Economia Agropecuária, participou da abertura e falou sobre a importância de se debater o Crédito Rural e o Seguro Agrícola. “Esse diálogo possibilita uma reflexão, dentro do Sistema Agricultura e com todos os parceiros externos, sobre como poderemos potencializar essa política no processo de retomada da economia pós-pandemia. A proposta é que, após os eventos, a Seapa e todos os parceiros ampliem estas políticas públicas no estado, aprimorando e levando o resultado para o setor rural”, ponderou.
Ainda na abertura, o subsecretário de Política e Economia Agropecuária, João Ricardo Albanez, detalhou que este último dia do V Seminário de Políticas Públicas para o Setor Rural teria ênfase na conexão entre o crédito rural e a assistência técnica. Ele também aproveitou para convidar para a próxima edição do Seminário, que já está sendo preparada.
“Queremos convidá-los, desde já, para o nosso próximo Seminário, que tratará sobre o Acesso à Terra, outro tema extremamente importante para o desenvolvimento da agricultura em nosso estado”, adiantou Albanez.
Palestras
A primeira palestra desta quinta-feira contou com o presidente da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), Nivaldo Moreno de Magalhães, e com Jefferson Ferreira de Morais, diretor da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária (Empaer).
“Não posso deixar de parabenizar a nossa amiga a querida secretária Ana Maria Valentini, por quem temos enorme admiração, e aos nossos colegas extensionistas. Aproveito também para agradecer, de forma muito carinhosa, o presidente da Emater-MG e vice-presidente regional da Asbraer, Gustavo Laterza”, agradeceu o presidente da Asbraer.
Na sua apresentação, Morais detalhou que as fontes de recursos para o crédito rural em 2019/2020 totalizaram R$ 225 bilhões em todo o país, porém, segundo o diretor da Empaer, todo esse financiamento não chega facilmente aos agricultores familiares ou médios produtores. “É nesse sentido que a assistência técnica cumpre um papel importantíssimo. Ao longo da sua história, o serviço de extensão rural esteve presente com modificações e especializações do crédito rural. É uma das instituições com maior vivência no crédito rural”, pontuou.
Em seguida foi a vez da gerente geral da Agroicone, Leila Harfuch, falar sobre os impactos do crédito rural nas economias locais. Ela apresentou dados de um estudo publicado recentemente, que mostra que para cada 1% de aumento na oferta do crédito rural há impactos positivos em produção (+0,29), no PIB Agrícola (+0,17%), produtividade (+0,21%), produtividade dos trabalhadores (+0,22%) e no uso da terra.
“O uso da terra é bastante importante na agenda do crédito rural, seja para induzir a sustentabilidade, adoção de boas práticas agropecuárias ou a melhoria de produtividade no campo”, detalhou Leila.
Em sua palestra, o professor e pesquisador Mauro Eduardo Del Grossi (UNB) tratou sobre o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), apresentando uma série de números. “Nós tínhamos no Brasil, em 2017, 3,8 milhões de empreendimentos da agricultura familiar, representando 77% dos empreendimentos agropecuários e 23% de toda a área agrícola do país. A agricultura familiar tem um grande trunfo, ela é intensiva em mão de obra. Apesar disso, correspondem a apenas 23% do Valor Bruto da Produção (VBP)”, ponderou Del Grossi.
O agricultor familiar Valber Natalino Neves, do município de Capelinha, no Jequitinhonha, encerrou as apresentações. Feirante desde os anos 80, ele falou sobre a sua experiência pessoal com o crédito rural. “Há cerca de uma década, fiz meu primeiro financiamento. O que me atraiu na época foi a taxa, que era de 2% ao ano, e o prazo para pagamento, de 10 anos. Com a aquisição de um veículo, pude aumentar minhas vendas e, passados três anos, fiz um novo financiamento para adquirir um caminhão maior, podendo levar o excedente da minha produção para a Ceasa”, lembrou.
Debate
Por fim, o V Seminário de Políticas Públicas para o Setor Rural contou com um debate entre todos os palestrantes, moderado pelo diretor-técnico da Emater-MG, Feliciano Oliveira. “O Crédito Rural e o Seguro Agrícola são políticas públicas que nós, da extensão rural, tivemos a oportunidade de iniciar lado a lado, quando a assistência técnica desembarcou no Brasil em 1948”, pontuou Oliveira antes de iniciar as perguntas enviadas pelo público.
Todos os vídeos do ciclo de debates sobre Crédito Rural e Seguro Agrícola estão disponíveis no Youtube da Seapa.
Jornalista responsável: José Vítor Camilo
Foto: Reprodução/YouTube
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