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No Dia Internacional da Mulher, produtoras de Divino mostram a força feminina no campo

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Elas são maioria entre os 200 moradores e assumem todas as etapas da produção agrícola em comunidade rural, assistidas pelas ações do Governo de Minas
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Nesta família de produtoras rurais, em Divino, as mãos femininas fazem a terra brotar

No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a força feminina no campo ganha expressão em histórias como a das produtoras de Carangolinha de Cima, em Divino, na Zona da Mata mineira. Ali, as mãos femininas fazem a terra brotar. Dos 200 moradores da comunidade, 60% são mulheres que tiram da agricultura o sustento da família. Além de plantar e colher, elas participam diretamente da comercialização dos produtos, que inclui cafés especiais, hortaliças, frutas, farinhas, quitandas e doces. O trabalho das mulheres abastece feiras no município, programas de alimentação escolar e mercados locais.

 “Aprendi com a minha mãe, que faleceu, a ser agricultora e a respeitar a natureza”, conta Renata de Souza Gomes, 40 anos. Nascida e criada na comunidade, ela se formou em Licenciatura em Educação do Campo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e dedica-se, hoje, à produção de cafés especiais e a outras culturas em Carangolinha de Cima.

A casa de Renata é um retrato da presença feminina no campo. Ela vive com a avó, Geisha Neto de Souza, a dona Zica, de 90 anos, as tias Neli, Ana, Vanilda e Romilda. Junto, está Valentina, de 12 anos, filha de Romilda, que, devido ao amor à vida rural, deve seguir os passos da família. Assim como as vizinhas, elas plantam de tudo. “Banana de várias espécies, variedades de feijão, tipos diferentes de abóbora e mandioca. Temos também abacate, laranja, manga, amora, abacaxi, pitanga ... São muitas plantações”, celebra  Renata.

E tudo começou com uma mulher determinada, dona Zica,  que junto ao marido plantou, na comunidade, as primeiras lavouras no século passado. Para Renata, as mulheres sempre foram a base da produção rural, mesmo quando o reconhecimento não vinha.  “Nos bastidores, cuidavam dos quintais e da família, sempre preocupadas em garantir alimento e afeto. ”, afirma.

Hoje, segundo ela, o cenário mudou. “Antes, muitas mulheres tinham vergonha de dizer que eram produtoras rurais. Agora temos orgulho do nosso trabalho, que trouxe independência financeira. Dirigimos, transportamos e vendemos nossa produção”.

 No entanto, segundo Renata, ainda há preconceitos. “Muitos homens chegam para resolver algo aqui e perguntam: cadê o seu pai, o seu marido? Com orgulho, respondo, pode falar comigo. Nada é empecilho para a gente. Como não consigo carregar uma saca de café,   divido em porções”, conta Renata que, na embalagem do café,  fez questão de colocar a frase: “ Produzido por mulheres”.

Apoio fortalece o protagonismo

 A comunidade conta com o acompanhamento da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa). “Além da assistência no cultivo e no manejo, participamos de iniciativas como o Dia de Campo, que traz capacitação e acesso a novas tecnologias. Fiz cursos de classificação e a análise do solo ”,  diz Renata.

No ano passado, a comunidade foi contemplada com o Programa Irriga Minas, executado pela Seapa, que distribui kits de irrigação para agricultores familiares. Dos 49 kits entregues em Divino, 27 foram para as mulheres da comunidade. Com a implantação dos sistemas de irrigação, as produtoras expandiram a oferta de alimentos para fornecê-los ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), aumentando a renda das famílias. “É fundamental ampliar a produção para fortalecer ainda mais o protagonismo feminino no campo”, destaca a extensionista Emanuella Costa Torres, da Emater de Divino.

 

 Jornalista responsável: Márcia Queiroz

Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

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