Minas Gerais propõe novo pólo de produção de trigo
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A proposta de criação de um pólo para a produção de trigo no Brasil Central, reunindo Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Goiás, será apresentada nesta terça-feira (4), por empresários mineiros, à Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Culturas de Inverno do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Brasília. O projeto surgiu de debates organizados pelo Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Trigo em Minas Gerais (Comtrigo), criado pela Secretaria Estadual da Agricultura de Minas Gerais.
Segundo o coordenador do Comtrigo, Lindomar Antônio Lopes, “os representantes da cadeia produtiva do trigo em Minas Gerais irão marcar sua primeira participação na câmara setorial com um tema que interessa aos produtores, indústria e governos de um importante bloco de estados”. Os porta-vozes mineiros na câmara são Eduardo Elias Abraim e Lucas Aernoldts, da Associação dos Triticultores de Minas Gerais (Atriemg), e Domingos Costa e Sérgio Gonçalves, do Sindicato do Trigo de Minas Gerais (Sinditrigo).
“Eles defenderão a proposta do novo pólo como um meio de somar as forças técnicas e políticas do bloco para a conquista de um espaço para os Estados participarem mais da política nacional do trigo”, assinala o coordenador do Comtrigo. Segundo Lindomar Lopes, a proposta consiste em adotar políticas comuns, integrando ações, programas, normas e procedimentos das instituições oficiais e privadas vinculadas ao trigo no Brasil Central, a fim de atender a todos os segmentos da cadeia produtiva do trigo.
Vantagens do bloco
Levantamento realizado pelo Comtrigo mostra que Minas Gerais, Mato Grosso, Matos Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal têm condições semelhantes para promover o desenvolvimento da triticultura. Os Estados apresentam alta produtividade, têm boas condições para competir no mercado e poderão desenvolver políticas comuns para o fortalecimento do setor.
Uma das vantagens das regiões centrais é que a colheita do trigo poderá ser feita em períodos quase sem chuva, o que garante a obtenção de um cereal de alta qualidade. “Além disso, a baixa umidade relativa do ar do cerrado brasileiro, durante a maior parte do ciclo da cultura, contribui para a diminuição da ocorrência de doenças e pragas, um problema grave do Sul do Brasil”, acrescenta Lindomar Lopes.
Os produtores poderão contar também com diversas cultivares de trigo desenvolvidas e adaptadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), vinculada à Secretaria Estadual da Agricultura
Outra vantagem do trigo produzido no cerrado do Brasil Central é a colheita que coincide com a entressafra da produção do Sul e da própria Argentina, principal exportador do cereal para o Brasil, alcançando por isso um preço mais competitivo no mercado nacional. Segundo Lindomar Lopes, o cultivo de trigo no Centro do Brasil é recomendável também pela condição geográfica da região, que a torna competitiva pela economia de frete na logística, caso seja adotado o sistema de transporte ferroviário da produção até os grandes centros consumidores brasileiros. “Com esse conjunto de condições, Minas Gerais poderá liderar o movimento regional de valorização do trigo produzido no Brasil Central”, diz o coordenador do Comtrigo.
Alta produtividade
A Conab tem uma estimativa de colheita, em Minas, para a safra 2007/08, de 49,6 mil toneladas de trigo, enquanto para o Brasil a previsão é de 3,8 milhões de toneladas, com 80% da produção concentrados no Sul do país. A cotação do cereal é da ordem de R$ 530,00 a tonelada. De acordo com o programa da Secretaria da Agricultura, a produtividade do trigo em lavouras irrigadas de Minas alcança até 5,4 mil quilos por hectare, bem maior que a média nacional, mas a produção equivale a apenas 6% da necessidade do consumo, o que obriga o Estado a buscar trigo fora de suas divisas e até em outros países.
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