Promoção comercial da batata na pauta de franceses em Minas
A promoção comercial da batata-consumo está entre os temas que um grupo de especialistas franceses vai discutir com o secretário da Agricultura de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues, e os integrantes do Comitê Gestor da Batata, criado pela secretaria. O encontro, que faz parte da agenda do Programa de Cooperação Técnica Brasil com Minas para o Desenvolvimento da Agropecuária, será realizado no dia 22, segunda-feira, às 15 horas, na sede da Seapa, em Belo Horizonte.
O coordenador executivo do Comitê Gestor da Batata, Joaquim Gonçalves de Pádua, assinala que é preciso melhorar o padrão de classificação, embalagem e rotulagem do produto no mercado. Segundo o pesquisador, atualmente o comércio do Sul de Minas está iniciando a comercialização de batata em embalagens menores e fechadas, com etiqueta informando o nome da cultivar, o destino de uso e a procedência. “Mesmo em pequena escala, este trabalho vem mostrando ser promissor e poderá ser uma alavanca para o redirecionamento da segmentação desse mercado”, explica.
Joaquim de Pádua destaca a tendência de aumento do consumo na forma processada, principalmente de batata frita e batata pré-frita congelada, e uma redução gradual na aquisição do tubérculo não processado (in natura). Ele diz que “há diversas indústrias de pequeno porte produzindo batata palha no Sul de Minas e existem projetos de novas indústrias para batata chips.”
Uma das empresas do setor instaladas recentemente em Minas é a “Bem Brasil”, de Araxá. “Especializada no processamento de batata pré-frita congelada, sua capacidade de processamento é de cerca de 50 toneladas de batatas diariamente, o que mostra o potencial deste mercado no país”, enfatiza o pesquisador. Os produtores de batatas também acompanham a implantação da Yoki, em Pouso Alegre, que pretende iniciar o processamento de batatas por volta de 2011, depois de consolidar outras linhas de produção de alimentos.
“O Brasil é auto-suficiente no abastecimento interno de batata para atender ao mercado do tubérculo in-natura, porém importa grandes quantidades do produto processado, principalmente de pré-fritas congeladas”, informa o coordenador.
Batata embalada
Joaquim de Pádua explica que o programa de intercâmbio com os franceses, representados pela associação Fert, é coordenado pela Secretaria da Agricultura e busca o melhoramento de todos os segmentos da cadeia produtiva da batata no Estado. “Pretende utilizar também informações que facilitem a aceitação do produto com rótulo e indicações culinárias variadas”, destaca o coordenador do Comitê Gestor da Batata.
Para o pesquisador, é necessário mudar os hábitos do consumidor, que sempre foram reforçados pelo próprio comércio atacadista. “As pessoas, no Brasil, compram batatas com aparência sofisticada porém de baixa qualidade em termos culinários. Isso acontece porque os atacadistas impõem padrões sofisticados como o tubérculo de pele lisa e brilhante, o que restringe o número de cultivares.” Joaquim de Pádua acrescenta que, geralmente, as cultivares que atendem a este padrão de mercado são produzidas à base de insumos caros. .
Consumo é pequeno
No Brasil a batata é produzida principalmente nas regiões Sudeste e Sul, sendo Minas Gerais o maior produtor, com cerca de 910 mil toneladas, ou 32% da oferta nacional. O consumo de batata no país, em torno de 10 a 15 quilos por pessoa/ano, é considerado pequeno quando comparado aos países europeus e do hemisfério norte, onde o consumo chega a mais de cem quilos por pessoa/ano. Um dos grandes problemas que o programa de intercâmbio com os franceses procura resolver é a pequena produção de batata-semente em Minas Gerais, cerca de 10% da demanda dos produtores do Estado. Segundo Joaquim de Pádua, o Estado conta com condições climáticas favoráveis e tecnologia para produzir batata-semente de boa qualidade.
O coordenador do Comitê Gestor da Batata diz que “o governo do Estado e a iniciativa privada buscam o desenvolvimento do setor no Estado para fortalecer a economia e aumentar o nível de emprego, pois a produção de batata-consumo gera ocupação para cinco pessoas por hectare plantado.” Um dos instrumentos de estímulo às cadeias da batata no Estado é o Centro de Inteligência da Batata (CIB), criado pela Secretaria em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla) e outras instituições público-privadas. As pessoas que acessarem o portal http://www.cim-agro.com.br/cib/ terão uma visão geral da situação do setor e uma análise futura das possíveis situações do mercado.