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Artes Visuais

Igreja de Ouro Preto
Igreja de Ouro Preto
Foto: Zeca Rodrigues

Minas Gerais é um celeiro de grandes nomes e manifestações da arte e cultura do país. As primeiras manifestações culturais do estado foram pinturas rupestres que ainda são encontradas nos sítios arqueológicos de Lagoa Santa, Serra do Cipó e Cocais. Já as primeiras manifestações artísticas de Minas foram reveladas no período colonial brasileiro. Diversos templos religiosos foram construídos e preservados em cidades de fama internacional como Ouro Preto, Diamantina e Congonhas do Campo, ricas pela profusão de obras-primas do estilo barroco, nas quais se destacam os trabalhos de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e Mestre Athaíde.

A região possui um importante acervo arquitetônico e artístico. Ao todo, são 188 bens protegidos no estado, entre núcleos históricos e edificações isoladas, que estão sob a responsabilidade do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). São 12 conjuntos urbanos tombados, 76 conjuntos arquitetônicos e paisagísticos, 91 edificações isoladas, 2 bens móveis e 7 bens imateriais registrados. Mais de dois terços dos municípios mineiros, 643, possuem bens protegidos pela política patrimonial do Estado. No total, são 4849 bens tombados e registrados. 
Minas Gerais concentra, ainda, o maior número de Patrimônios Culturais da Humanidade declarados pela Unesco no Brasil. Os quatro bens estão localizados nas cidades de Ouro Preto, Diamantina, Congonhas e Belo Horizonte.

Integram-se também, a este acervo, os bens de interesse municipal tombados pelos Conselhos Municipais de Cultura, somando mais de dois terços do número de municípios. O acervo cultural de Minas Gerais destaca-se, também, pela extensão e integridade de seus conjuntos urbanos, pela singularidade e diversidade das suas manifestações estilísticas e por contemplar a representação de vários ciclos históricos. 

Sob a administração da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), são sete os museus que guardam o rico patrimônio artístico e cultural do estado. Localizados no Circuito Liberdade, em Belo Horizonte, estão o Museu Mineiro, o Museu dos Militares Mineiros e o Centro de Arte Popular. Em Juiz de Fora, o Museu do Crédito Real, em Cordisburgo, o Museu Casa Guimarães Rosa, em Mariana, o Museu Casa Alphonsus de Guimaraens e, em Ouro Preto, o Museu Casa Guignard.  Em cada um desses espaços, a cultura, a tradição e as artes mineiras são ressaltadas em diferentes formas, evidenciando, assim, toda a potencialidade criativa do estado. 

Expoentes da Arte Mineira 

Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, era filho do mestre-de-obras português Manuel Francisco Lisboa e da escravizada Isabel. Arquiteto, escultor e entalhador, nasceu em Vila Rica, hoje Ouro Preto, e é considerado a maior expressão da arte brasileira de todos os tempos. Sua extensa obra está disseminada por toda a antiga região do ouro. Algumas peças de sua autoria também estão presentes em acervos museológicos e coleções particulares. A manifestação mais alta de seu talento pode, porém, ser sintetizada em realizações excepcionais como os conjuntos dos profetas e dos passos da Paixão, em Congonhas, e a concepção arquitetônica e ornamental da igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto.

O apelido Aleijadinho, com que ficaria conhecido em vida e na posteridade, advém de uma doença de caráter deformador, contraída por volta dos 40 anos de idade. Não se sabe ao certo em que data nasceu, 1730 ou 1738. Faleceu em 18 de novembro de 1814 e seu corpo está sepultado na matriz de Nossa Senhora de Conceição de Antônio Dias, em Ouro Preto. Outras obras de destaque são a igreja do Carmo (Sabará), o chafariz no Palácio dos Governadores (Ouro Preto) e a fachada da matriz de Santo Antônio, em Tiradentes, apontada como sua última criação.

Igreja São Francisco de Assis
São Francisco de Assis
Foto: Elton Melo

Manuel da Costa Athaíde nasceu na cidade de Mariana, em cuja catedral foi batizado a 18 de outubro de 1762. Nome de maior prestígio e talento da pintura religiosa mineira, foi companheiro de Aleijadinho em realizações de vulto como a igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto. Athaíde foi responsável pela implantação da pintura em perspectiva e pela ornamentação rococó de forros em Minas Gerais. 
Entre suas obras mais importantes estão o forro da matriz de Santa Bárbara, o forro da nave da matriz de Santo Antônio de Itaverava, Rosário dos Pretos, em Mariana e sua obra mais conhecida e espetacular – a pintura em perspectiva da igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto. Falecido em 3 de fevereiro de 1830, o grande pintor brasileiro foi sepultado na igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, em sua terra natal.

As cidades do interior de Minas Gerais são verdadeiras galerias a céu aberto para quem se interessa por arte, mas não apenas do barroco. As manifestações artísticas se estendem ao contemporâneo, passando por modernos e neoconcretos. O neoconcretismo é um movimento brasileiro criado pelo escultor mineiro Amilcar de Castro. O movimento é considerado divisor de águas das artes visuais no Brasil, ampliando as pesquisas dentro da linguagem geométrica.

Outro nome importante das artes visuais é Lygia Clark. Lygia nasceu em Belo Horizonte e tinha uma criação artística que questionava e rompia com os limites da representação estética, a noção de arte e os limites da arte moderna e contemporânea. Em 1950, fez a descoberta da linha orgânica e definiu seu trabalho como “o estado de arte, sem arte”. A artista mineira já teve exposição dedicada às suas obras no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

Um dos maiores nomes do modernismo brasileiro é da artista Yara Tupynambá, que foi aluna de Guignard. Nascida em Montes Claros, Yara é considerada por muitos a artista que mais representa a cultura, os valores e as riquezas de Minas Gerais. Seus trabalhos envolvem a técnica da pintura e do desenho, mas foram os murais que ganharam destaque no Brasil. Vários órgãos públicos e privados ostentam murais minuciosamente pensados e trabalhados, como o “Inconfidência Mineira”, instalado no saguão da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, e o “Desbravamento do Rio São Francisco”, afixado na Faculdade de Educação da Universidade.

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