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Chapada do Norte celebra 200 anos da Irmandade do Rosário

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Foto: Adalberto Mateus - Acervo Iepha-MG

Ao som dos tambores, cânticos da Congada e toque do sino, a comunidade de Chapada do Norte, no Vale do Jequitinhonha, celebrou na última semana o bicentenário do registro do Compromisso da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, responsável pela realização da tradicional festa registrada pelo Iepha/MG desde 2013 como patrimônio cultural do estado de Minas Gerais.

A comemoração se iniciou no dia 30 de setembro com a realização das Novenas preparatórias da festa, que são acompanhadas de missas, leilões e outros ritos específicos da comunidade chapadense. Ao longo de mais de uma semana, a comunidade se reuniu para dar continuidade aos festejos que receberam o inédito título dado à comunidade quilombola da cidade, distante 522 km de Belo Horizonte.

Nem mesmo a forte chuva que caiu na cidade na noite do sábado pode impedir a celebração da cerimônia do Mastro a Cavalo que reproduz o episódio entre mouros e cristãos e sinaliza o início da devoção ao Santo Rosário. O relógio já registrava mais de meia-noite quando o mastro foi erguido em um dos momentos considerados como o ápice da festa, acompanhado de uma intensa queima de fogos. Na ocasião, acontece a leitura dos nomes daqueles que contribuíram para a cerimônia e, ao final, é descerrado um estandarte com os nomes dos irmãos falecidos no ano anterior.

No domingo, sob sol forte, o reinado percorreu as ruas da cidade com a representação da corte e dos reis de Nossa Senhora do Rosário. Entre os destaques do cortejo, estavam as crianças do projeto de educação patrimonial João Pretinhos do Rosário, que transmite às novas gerações a tradição dos tamborzeiros. Ostentando ricas vestes, o rei Fabrizzio Clemente Fonseca e a rainha Andreia Aparecida Lemos Soares, puderam enfim celebrar a festa de acordo com os costumes e tradições locais. Coroados em outubro de 2019, os reis tiveram que aguardar três anos devido às restrições sanitárias impostas pela pandemia. “Pudemos, finalmente, realizar a festa com tudo que lhe é de direito”, disse o rei Fabrizzio, acompanhado da satisfação de todos os devotos que foram até a sua casa para cumprimentar e saborear as delícias de um grande almoço.

Na casa destinada à rainha, a ‘monarca’ Andreia Soares comemorava o sucesso da festa contemplando os fogões instalados no amplo quintal, responsáveis por garantir as iguarias produzidas na comunidade e que reafirmam as tradições culinárias que sempre marcaram a identidade local. “Faço parte da irmandade desde 1992, cumprindo uma tradição familiar”, diz Andreia relembrando a Quinta do Angu e os licores produzidos em garrafas decoradas especialmente para comemorar os 200 anos da Irmandade.

A festa realizada pela Irmandade do Rosário pode registrar mais de duzentos anos, como nos comprova a Capela dedicada à santa, erguida em meados do século 18 e tombada pelo Iepha/MG desde 1980. De acordo com a gerência de Patrimônio Cultural Imaterial, “a festa, como tantas outras que ocorrem pelo interior de Minas Gerais e do Brasil, tem sua ascendência na cultura afro-brasileira e na história de resistência dessa população”.

A festa é um exemplo de fé e de vigor para todos os mineiros. Marília Palhares, presidente do Iepha-MG

De acordo com o procurador da Irmandade, Maurício Costa, documentos antigos encontrados juntos aos primeiros livros também apontam para a antiguidade dos festejos. “Alguns documentos avulsos apontam para datas anteriores a 1822, quando se deu o registro oficial do nosso Compromisso”, disse o procurador que destaca o cuidado da irmandade com a preservação da capela barroca desde a sua restauração, realizada pelo Iepha/MG a partir de 2006.

A presidente do Iepha/MG, Marília Palhares Machado, enviou um cartão à comunidade de Chapada do Norte com os cumprimentos da Instituição e da Secult, registrando que “a festa é um exemplo de fé e de vigor para todos os mineiros”. Para conhecer mais sobre esse patrimônio cultural mineiro, consulte em nosso site, clicando aqui.

 

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Fotos: Adalberto Mateus - Acervo Iepha/MG