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Música

Sonoridade, musicalidade, ritmo, são diversas as formas que o mineiro tem para se expressar

Minas Gerais também são muitas quando o assunto é música. Sua sonoridade, sua musicalidade, seu ritmo, a começar pelas diversas formas que o mineiro tem para se expressar, nos quatro cantos de seu território, são parte das características mais marcantes deste Estado que é reconhecido como a síntese da cultura brasileira.

Minas Gerais, Estado privilegiado no quesito música, "exporta" talentos para outros estados brasileiros e também para o exterior, tendo sido palco de uma das principais correntes musicais brasileiras, conhecida como Clube da Esquina, que, para muitos, é tão significativa para o legado cultural brasileiro como o é a Bossa Nova, além, obviamente, do Samba.

Basta lembrar que o autor de um dos hinos nacionais brasileiros, uma das músicas mais tocadas e gravadas em todo o mundo, o samba-exaltação Aquarela do Brasil, é o mineiro de Ubá, na Zona da Mata, Ary Barroso. Isso sem falar em outro grande compositor de samba, que faria 100 anos em 2009, o mineiro de Miraí, também na Zona da Mata, Ataulfo Alves.

Aqui, o aspecto mediterrâneo de nossa geografia, a ausência do mar, o Jequitinhonha e o Velho Chico, além da profusão de montanhas renderam muito mais do que a poesia de seus mestres, uma sonoridade própria enriquecida por versos cujo conteúdo exalta e externaliza o que de mais profundo, abissal, há na cultura mineira, o verdadeiro sentido e sentimento da mineiridade.

Músicos de várias vertentes, agrupados ou não a entidades representativas, vêm dialogando com o poder público mineiro, por meio da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, através de sua Assessoria Especial da Música. A partir dessa positiva sinergia, foi lançado, em agosto de 2008, o Música Minas - Programa de Estímulo à Música, que tem como objetivo criar mecanismos e ações sustentáveis para que a música produzida em Minas Gerais encontre um lugar expressivo no mercado estadual, nacional e internacional para mostrar sua diversificada e rica produção, escoando seus produtos e formando público para seus artistas.

O mais novo mecanismo de fomento à música do Governo de Minas se destina a compositores, intérpretes e instrumentistas, de diversos gêneros e tendências musicais. O Música Minas se constitui de duas categorias principais: Circulação Estadual e Nacional de Artistas Mineiros, e Exportação da Música Produzida em Minas (veja mais informações neste site). 

O Estado de Minas Gerais conta com outros mecanismos de fomento à música, como o Música Independente, uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura, por meio da Fundação Clóvis Salgado (FCS), em parceria com a Sociedade Independente da Música, Rádio Inconfidência e Rede Minas. O programa é resultado do Edital de Estímulo às Artes - Música, promovido, anualmente, pela FCS (veja mais informações no site www.palaciodasartes.com.br).

O Fundo Estadual de Cultura e a Lei de Incentivo à Cultura de Minas Gerais também disponibilizam recursos para variados projetos na área musical (mais informações neste site).

O Estado também investe no PAMM (detalhado mais à frente) e nas Bandas Civis de Músicas, além de fomentar duas orquestras, a Sinfônica e a Filarmônica de Minas Gerais.

Origem da Música Brasileira

O primeiro registro histórico referente à música, no Brasil, encontra-se expresso na carta de Pero Vaz de Caminha: "Diogo Dias, que é homem gracioso e de prazer, levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. E meteu-se com eles (os indígenas) a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam, e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhes ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras e salto real, de que eles se espantavam e riam e folgavam muito."

Daí, o surgimento da música brasileira deu-se com a contribuição dos indígenas, dos colonizadores e dos negros, que, por sua vez, imprimiu forte caráter na formação do perfil cultural brasileiro - que o digam nossos tambores mineiros.

O processo de colonização viria associar a música brasileira à matriz européia, durante muito tempo, até que as novas expressões populares nascidas da miscelânea étnica fariam com que a música brasileira se tornasse uma das mais expressivas da América.

Se no último século ela desabrochou, espalhando sementes no imaginário da população brasileira, em Minas Gerais, estes elementos forjaram-se a outras sementes, mesclando-se ritmos e harmonias, dando origem a uma música única e universal, que é a música mineira.

São muitas as explicações para a diversidade de tendências da música mineira. Em Minas, quando sua história era desenhada, o ambiente urbano e cosmopolita da mineração - sobretudo na Ouro Preto de então - juntou-se com os ritmos rurais oriundos da Bahia, adicionados às influências européias, forjando a base do surgimento, no início do século XX, do Samba na Bahia e Rio de Janeiro.

Antes disso, porém, no fim do século XVIII e começo do século XIX, floresceu nas cidades mineiras uma geração de compositores que criaram uma música contemporânea da arte do Aleijadinho e da poesia dos inconfidentes. A música Barroca de Minas, tocada, sobretudo, nas igrejas, em saraus, em circuitos mais restritos.

Parte desta época já está sendo resgatada, cuidada e disponibilizada, inclusive pela internet, por meio do projeto Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro - PAMM, encabeçado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e que, por meio de verdadeiro garimpo, coordenado pelo musicólogo Paulo Castagna, tem levantado composições e autores até então pouco conhecidos, a partir de cerca de 15 acervos mineiros e outros localizados, sobretudo, no Rio de Janeiro e São Paulo.

O PAMM efetiva um marco no reconhecimento da música como um dos principais patrimônios imateriais do Estado de Minas Gerais, para além do já consagrado patrimônio de "pedra e cal". Já a música mineira contemporânea foi capaz de assimilar o que de melhor existe em outras tendências, em outros ritmos vindo do jazz, dos  Beatles, que, sintetizando-se com outros elementos da música popular brasileira pôde, por exemplo, resultar no movimento sem rótulos do Clube da Esquina, que por sua vez influenciou novas gerações que ampliaram vertentes vanguardistas, que vão do som percussivo do Uakti ao pop-rock do Skank e do Jota Quest, passando pela música de raiz e expressões dialéticas do Vale do Jequitinhonha, do Norte de Minas e da Gerais "preta e barranqueira" emoldurada pelas carrancas que singraram o Velho Chico, além do som sul-mineiro impregnado com o sotaque paulista.

Podemos dizer, sem sombra de dúvida, que a música de Minas ecoa para muito além dos limites de nossa serras e montanhas, capaz de encantar, capaz de inspirar novos talentos.

Referências Bibliográficas: Barsa - Enciclopédia Britânica do Brasil Publicações Ltda., edição de 1999; Revista MPB - Compositores, Milton Nascimento - nº 19 - 1997 - Editora Globo S.A. Revista O Globo - ANO 4 - nº  217 - 21 de setembro de 2008.