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Manuel da Costa Athaíde

Manuel da Costa Athaíde

Nascido em Mariana (MG), o pintor Manuel da Costa Athaíde (1762 à 1830) é reconhecido como um dos mais importantes nomes da arte colonial brasileira, com suas obras decorativas monumentais em forros, paredes e quadros de mais de 20 igrejas construídas no século 17 na região de exploração do ouro. Trabalhou por mais de 30 anos ao lado de outro artista de importância elevada para o barroco, o arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

A igreja de São Francisco de Assis (1812), projeto de Aleijadinho em Ouro Preto, possui aquela que é considerada sua obra-prima: a pintura do tema da Glorificação da Virgem no forro da nave. Este trabalho é "um dos exemplares mais perfeitos da pintura de perspectiva do período", segundo a Enciclopédia de Artes Visuais Itaú Cultural.

O primeiro trabalho de destaque de Athaíde está nas capelas dos Passos da Paixão e na igreja do Senhor do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas. Entre 1781 e 1818, pintou as esculturas criadas por Aleijadinho nos Passos da Ceia, Prisão e do Horto, de um conjunto de 66 estátuas em madeira, dando-lhes vida e reforçando a expressão de seus personagens. Suas obras também podem ser vistas em igrejas de Itabira, Conceição do Mato Dentro, São José da Barra Longa, Canoas, Santa Bárbara e Itaverava.

Nascido em Mariana, Athaíde era filho de Luiz Costa Athaíde, um militar português, e de Maria Barbosa de Abreu. Foi ele quem introduziu a pintura em perspectiva e a ornamentação em rococó nos forros em Minas. Com os pintores Bernardo Pires da Silva, Antônio Martins da Silveira, João Batista de Figueiredo, entre outros, formou a chamada Escola de Mariana. Herdou de seu pai a tradição religiosa, fortemente marcada pela devoção. Esse aspecto influenciou sua obra, que buscou inspiração na hagiografia cristã (biografias de santos).

Sua obra revela referência aos modelos das bíblias e catecismos europeus, tendo transformado o aspecto solene dessas imagens em cenas de maior expressividade, em corpos mais volumosos. Outras das características de seu trabalho são o uso de cores vivas e a dotação em seus personagens de feições brasileiras. Na pintura do teto da nave da igreja de São Francisco de Assis, Nossa Senhora é mulata, inspirada em sua companheira. Em A Ceia (1828), do Colégio do Caraça, em Catas Altas (MG), os anjos têm como modelo seu filho natural e garotos de Vila Rica.

Em 1794, em Mariana, realizou o douramento do altar-mor da igreja de São Francisco de Assis. Pintou também os painéis da sacristia com representações da vida de são Francisco. Athaíde está enterrado nesta igreja.

Pai de quatro filhos, nunca se casou. Teve ainda carreira militar. Em 1818, requereu a dom João 6º a criação de uma escola de belas artes em Mariana. O monarca optou por instalar a instituição no Rio de Janeiro, hoje a atual Escola Nacional de Belas Artes. Na petição enviada ao rei, Athaíde escreveu: "Ninguém melhor que Vossa Majestade Real sabe quanto é útil a arte do desenho e arquitetura civil, e militar e da pintura: e que haja neste novo Mundo, principalmente nesta Capitania de Minas, entre a mocidade, homens hábeis de admirável esfera que desejam o estudo e praxe do risco". Em 1821, recebeu atestado de professor das "artes da arquitetura e da pintura".

Em Vida e Obra de Manoel da Costa Athaíde, o poeta Carlos Drummond de Andrade exaltou assim o trabalho da dupla de artistas. "Alferes de milícias Manoel da Costa Athaíde: eu, paisano, bato continência em vossa admiração. (...) Encontro-vos sempre caminhando mano a mano com o mestre mais velho Antônio Francisco Lisboa (...). Viveis os dois em comum o ato da imaginação e em comum o fixais em matéria, numa cidade após outra".

Fontes: Enciclopédia de Artes Visuais Itaú Cultural, Barroco Mineiro: Glossário de Arquitetura e Ornamentação (Coleção Mineiriana, Fundação João Pinheiro, 1996), Quem é Quem na História do Brasil (Editora Abril, 2000) e Manuel da Costa Ataíde "Aspectos Históricos, Estilísticos, Iconográficos e Técnicos" (Organização Adalgisa Arantes Campos, Editora C/Arte, 2005).