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Diagnóstico da pecuária leiteira de Barroso, feito pela EPAMIG, apresenta realidade da produção e propostas para maior lucra

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EPAMIG APRESENTA DIAGNÓSTICO DA PECUÁRIA LEITEIRA DE BARROSO
O documento é um dos resultados do PRODESAG na região

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) divulgou na noite da sexta-feira passada (07) um estudo que sobre a pecuária leiteira do município de Barroso na região dos Campos das Vertentes: Diagnóstico da Pecuária Leiteria do Município de Barroso, que foi apresentado aos produtores e autoridades da região.

O trabalho foi realizado durante o ano passado, em parceria com a prefeitura local. Além de traçar um diagnóstico da pecuária de Barroso, o documento propõe  novos caminhos para o setor para que os produtores tenham mais lucratividade. A apresentação foi realizada pelo pesquisador da EPAMIG Octávio Rossi de Morais, na Associação Ortópolis, no Centro de Barroso.

“Trata-se de um trabalho muito importante porque, ao final, sugere uma tomada de posição”, avalia o pesquisador Alberto Marcatti, que coordenou todo o trabalho. Segundo ele, o objetivo é provocar avanços para melhorar a renda da atividade. “Esse documento merece total credibilidade, pois foi realizado com uma amostragem muito alta, sendo ouvidos 45% dos produtores do município. O diagnóstico mostra um grau de realidade muito elevado e é um excelente subsídio para os produtores e até para a prefeitura, que está preocupada com essa atividade”, diz Marcatti.

Para o presidente da EPAMIG, Baldonedo Arthur Napoleão, ao identificar pontos fortes e fracos da pecuária leiteira do município de Barroso, prefeitura e EPAMIG disponibilizam informações importantes para subsidiar iniciativas ao mesmo tempo  em que sugerem caminhos para a obtenção de avanços produtivos e econômicos para a atividade leiteira municipal. O secretário municipal de Agricultura de Barroso, Jorge Barbosa da Silva, acredita que o diagnóstico desenvolvido pela EPAMIG vai nortear o trabalho feito pela prefeitura e seus parceiros no setor da pecuária leiteira. “Ele vai permitir que tenhamos rumos mais concretos e bem definidos”, observa, completando que acredita que as orientações fornecidas irão apresentar alternativas mais adequadas para solucionar os problemas encontrados.

Como parte do trabalho, um grupo de produtores do município também visitou a Fazenda Experimental de Felixlândia, onde viu de perto o trabalho desenvolvido pela EPAMIG com o gado F1.

Os questionários que embasaram o diagnóstico foram aplicados pela veterinária da Fazenda Experimental Risoleta Neves (FERN/São João del-Rei), Milena Godoy, com apoio da Secretaria Municipal de Agricultura de Barroso e Emater. Como parte do trabalho, um grupo de produtores do município também visitou a Fazenda Experimental de Felixlândia, onde todos puderam ver o trabalho desenvolvido pela EPAMIG com o gado F1 (sistema de produção com gado mestiço).

O Diagnóstico da Pecuária Leiteira do Município de Barroso integra o conjunto de ações do Programa Microrregional de Desenvolvimento Tecnológico da Agropecuária (PRODESAG), da EPAMIG, que será realizado também em outros municípios parceiros da Empresa. Em Piedade do Rio Grande, por exemplo, o mesmo diagnóstico já foi realizado e será divulgado nos próximos dias.

Resultados

A pesquisa realizada em Barroso revela que a maioria (38,9%) dos produtores de leite do município produz entre 50 e 100 litros por dia. Nesse estrato a produção média diária por fazenda leiteira alcança 78,5 litros. O volume médio produzido (6,6 litros/dia/vaca em lactação) é bem superior à média mineira (4,9 litros/dia/vaca) e também superior à média da região dos Campos das Vertentes (5,6 litros). Além disso, não fosse por ações isoladas equivocadas, o rebanho do município de Barroso estaria, sob a ótica da saúde animal, muito bem atendido. “O produtor, no entanto, precisa cadastrar todo o rebanho e não deixar de vacinar nenhum animal”, orientam os responsáveis pela pesquisa.

A pecuária leiteira de Barroso privilegia a mão-de-obra familiar e, à medida que as exigências relativas à qualidade de leite vão aumentando, a ordenhadeira mecânica ganha novos usuários. No município, entretanto, o crescimento da utilização da ordenhadeira mecânica ainda é lento. Por outro lado, o uso de tanque de resfriamento de leite, por pressão dos compradores de leite, está entrando em uso mais rapidamente.

De acordo com o documento, os produtores de leite de Barroso não são novatos em pecuária leiteira. Praticam modelos simples, práticos, adequados à realidade e à tradição da região. Entretanto, o cenário econômico mudou muito nos últimos tempos e a pecuária leiteira da região está precisando tornar-se mais competitiva. “Não se trata de reinventar modelos de produção, nem copiar modelos praticados em locais que muito diferem da região. Cabem apenas aprimoramentos”, opinam os pesquisadores responsáveis pelo estudo, acrescentando que o foco precisa ficar centrado sempre na lucratividade. “Sem lucro, nenhum negócio se sustenta. A pecuária leiteira não é uma atividade de produção, é um negócio. O modelo de produção pode continuar simples, com base no gado mestiço, mas é essencial privilegiar as pastagens”, sugerem, acrescentando que é preciso, no entanto, evoluir em organização, planejamento e gestão. “O primeiro desafio é a organização dos produtores e isto pode começar a partir desse documento que a EPAMIG acaba de lançar”, concluem.


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