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Juscelino Kubitschek de Oliveira

Juscelino Kubitschek de Oliveira

Juscelino Kubitschek (31/01/1951 a 31/03/1955)
Natural de Diamantina (MG), nasceu em 12 de setembro de 1902. É filho de João César de Oliveira e de Júlia Kubitschek.
Formação: médico

Diplomado médico em 1927, trabalhou na Santa Casa de Misericórdia, em Belo Horizonte. Posteriormente seguiu para Paris para especializar-se em urologia. Ao regressar, montou seu próprio consultório. Em 1931 foi nomeado para integrar o corpo de médicos do Hospital Militar da Força Pública do Estado de Minas Gerais. Em dezembro casou-se com Sara Gomes de Lemos, de uma família de grande prestígio no estado.
Em 1933, assumiu a chefia de Gabinete do então governador Benedito Valadares. Em 1934, foi eleito para seu primeiro mandato parlamentar. Com o golpe dado por Getúlio Varags, em 1937, perdeu o seu mandato e voltou a atuar como médico.

Prefeitura de BH

Em fevereiro de 1940 foi convidado por Benedito Valadares para assumir o cargo de prefeito de Belo Horizonte. Embora ocupando o cargo de prefeito, permaneceu na chefia do Serviço de Cirurgia do Hospital Militar, onde continuou a operar todas as manhãs, e assumiu ainda a chefia do Serviço de Urologia da Santa Casa de Misericórdia.
Preocupado em remodelar a cidade de Belo Horizonte, abriu grandes avenidas e dedicou-se às obras de infra-estrutura da cidade, removendo e ampliando as redes de esgoto e abastecimento de água, além de construiu o conjunto arquitetônico de Pampulha, um dos marcos da moderna arquitetura brasileira, projetado por Oscar Niemeyer.
Em 1945, foi o segundo candidato mais votado em  Minas Gerais e iniciou o mandato ao se instalar a Constituinte em fevereiro de 1946. A partir de março de 1947 desencadeou franca oposição ao governo de seu estado.
Em 1950, conquistou o governo mineiro. A base de sua administração foi o binômio energia e transporte. Sua candidatura presidencial foi homologada pela convenção nacional do PSD em 1955, venceu as eleições e tomou posse em 1956. Rapidamente, enviou ao Congresso um projeto de lei concedendo anistia ampla e irrestrita a todos os civis e militares que tivessem participado de movimentos políticos ou militares no período de 10 de novembro de 1955 a 19 de março de 1956.
Já em abril de 1956 assinou a mensagem a ser enviada ao Congresso, juntamente com o projeto de lei propondo a transferência da capital da República para o planalto Central. Com a aprovação, em 19 de setembro sancionou a lei que fixava os limites do futuro Distrito Federal.
Em março de 1957, em concurso organizado por Oscar Niemeyer, foi aprovado o plano-piloto de autoria do arquiteto e urbanista Lúcio Costa para a construção de Brasília. Em 21 de abril de 1960 Kubitschek declarou inaugurada a nova capital, Brasília.

Programa de Metas

O Governo favoreceu a entrada de capital estrangeiro e através do BNDES assegurou o acesso a créditos do exterior aos empresários. A grande entrada de capital estrangeiro foi, no entanto, a principal fonte de oposição à política econômica de Juscelino, notadamente por parte da esquerda. De um lado, o mecanismo de proteção às manufaturas de origem nacional obrigava as empresas norte-americanas a investir diretamente no Brasil, a fim de não perderem o mercado. Do outro, o governo concedia isenções e privilégios, permitindo que aquelas empresas importassem bens de produção, sem cobertura cambial, enquanto negava o mesmo direito às brasileiras.
Como a participação inicial do capital norte-americano para a execução do Plano de Metas era irrisória, o processo de aceleração industrial encontrou viabilidade na entrada de capitais europeus e japoneses. Entretanto, a entrada destes capitais, notadamente do alemão, fortaleceu no Brasil a área de resistência aos Estados Unidos, ao mesmo tempo que impeliu este país a incrementar os investimentos na indústria brasileira para manter e consolidar sua hegemonia.
Em represália ao pouco interesse demonstrado pelos EUA em empreender um programa de assistência ao Brasil e aos outros países da América Latina, em novembro de 1958, Juscelino manifestou-se publicamente pelo reatamento das relações comerciais com a União Soviética e outros países socialistas, sob aplausos de líderes sindicais que compareceram ao Catete. Pouco depois, Juscelino optou por romper com o FMI.
A política econômica do governo Kubitschek teria fortes repercussões sobre o processo de sucessão presidencial. Nas eleições realizadas em 3 de outubro de 1960, o candidato apoiado pela UDN, Jânio Quadros, obteve esmagadora vitória, apesar da reeleição de João Goulart à vice-presidência da República. Em 31 de janeiro de 1961, Kubitschek transmitiu o poder a Jânio Quadros. Nas eleições extraordinárias realizadas em 4 de junho de 1961, Juscelino elegeu-se senador por Goiás na legenda do PSD. 

Cassação

Em 31 de março de 1964 eclodiu o movimento militar que depôs Goulart. No dia 9 de abril, o Comando Supremo da Revolução promulgou o Ato Institucional Nº 1 (AI-1), que determinava a eleição dois dias depois, pelo Congresso Nacional, do presidente da República, que exerceria o poder até 31 de janeiro de 1966, quando seria empossado seu sucessor a ser eleito pelo sufrágio popular. O AI-1 também outorgava ao chefe do Executivo o poder de cassar mandatos parlamentares e suspender direitos políticos.
Em junho de 1964, o mandato de senador de Juscelino foi cassado e seus direitos políticos foram suspensos por dez anos.
Decidindo exilar-se, Juscelino seguiu para a Europa no dia 14 daquele mês. Em outubro de 1965, após longa permanência na Europa, voltou ao Brasil, sendo recebido em meio a grande manifestação por parte de seus correligionários.
Em face da sucessão de inquéritos policiais-militares perante os quais foi convocado para prestar depoimento, decidiu ausentar-se de novo do país. Só retornaria ao Brasil em junho de 1966, quando foi autorizado pelo governo a permanecer no país por 72 horas a fim de assistir aos funerais de sua irmã.
Em maio de 1967, Juscelino retornou definitivamente ao Brasil, fixando residência no Rio de Janeiro. Embora tivesse obtido do governo a garantia de plena liberdade de movimento, foi advertido de que estaria sujeito a prestar depoimentos nos inquéritos em que estivesse envolvido.

Morte

Em junho de 1974 foi eleito membro da Academia Mineira de Letras. Em 18 de junho de 1976 recebeu o troféu "Juca Pato" conferido pela União Brasileira de Escritores, em São Paulo, por ter sido eleito o intelectual do ano de 1975. Por essa época, abandonou suas funções junto ao Banco Denasa, passando a dedicar-se à administração da fazenda que possuía em Luziânia (GO). Em 22 de agosto de 1976 faleceu, vítima de desastre sofrido na via Dutra, nas proximidades de Resende (RJ).
Em abril de 1980, teve início em Brasília a construção de um monumento em homenagem a Juscelino - O Memorial JK - projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Em 12 de setembro, dia em que JK completaria 79 anos, dona Sara e o presidente João Batista Figueiredo inauguraram o Memorial JK, no qual seria instalado um museu e uma biblioteca.

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