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Turismo

Belo Horizonte

Foto: Alexandre C. Mota

A cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, tem história recente, num Estado de antigas tradições. Foi fundada em 12 de dezembro de 1897, cerca de 150 anos após a criação da primeira cidade mineira, Mariana, em 1745. Sua localização está na Região Sudeste do Brasil, formada ainda pelos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

A região de Belo Horizonte começou a ser povoada em 1701, pelo bandeirante João Leite Ortiz. Em suas terras, nasceu o arraial de Curral del-Rei, em 1707, nome que iria perdurar até a fundação da nova cidade. Em 1893 foi promulgada da lei que determinava a mudança da capital Vila Rica (atual Ouro Preto) para Belo Horizonte.

A cidade foi construída de forma planejada, inspirada nos modelos urbanos de Paris e Washington.

A capital é emoldurada pela Serra do Curral e apresenta diversas atrações em sua paisagem urbana, com destaque para o Conjunto Arquitetônico da Pampulha e da Praça da Liberdade. A Pampulha foi erguida entre 1942 e 1943, durante a administração de Juscelino Kubitschek (1902-1976) na prefeitura. Um de seus principais atrativos, a igreja de São Francisco de Assis é o cartão postal de Belo Horizonte e um dos principais trabalhos do arquiteto Oscar Niemeyer, que se tornou mundialmente conhecido pela construção de Brasília. Já o conjunto da Praça da Liberdade, onde está localizado o Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, data da época da fundação da capital, entre 1895 e 1897.

A cidade possui bairros com forte vocação para diversos tipos de comércio - do popular ao de alto luxo - e vida noturna intensa, que lhe deu o título informal de "a capital brasileira dos bares", pela quantidade de estabelecimentos espalhados pelos bairros que animam a noite belo-horizontina.

Outros importantes atrativos turísticos de Belo Horizonte são o estádio Mineirão, o Mercado Central, o Museu Histórico Abílio Barreto, o Museu de Artes e Ofícios localizado na Praça da Estação, os parques Municipal e das Mangabeiras, o Palácio das Artes e a praça do Papa  -  de onde se tem uma excelente vista panorâmica.

Belo Horizonte tem 2,4 milhões de habitantes. É a quarta capital mais populosa do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A Região Metropolitana possui 33 municípios e 4,5 milhões de habitantes. A temperatura é amena, com médias de 22º C. Principais distâncias: São Paulo (586 km), Rio de Janeiro (435 km) e Brasília (740 km).

Fontes: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959), Belotur e Prefeitura de Belo Horizonte

A Cidade de Congonhas

A cidade de Congonhas, na região Central de Minas Gerais, guarda um dos mais relevantes conjuntos religiosos do Brasil colonial: o santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Ali se destacam as estátuas dos 12 profetas, obra que, em 1985, recebeu o título de Patrimônio da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A autoria é do escultor e arquiteto Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Além dos profetas, o conjunto possui uma igreja e seis capelas com os Passos da Paixão, cujos personagens, também esculpidos por Aleijadinho, foram pintados por Manuel da Costa Athaíde. Os dois artistas se tornaram a maior expressão da arte colonial brasileira.

As origens da cidade estão ligadas à expansão da atividade dos mineradores portugueses em busca de novas jazidas de ouro, encontradas, inicialmente, na região vizinha que viria a ser conhecida por Ouro Preto, no final do século 17. Após se fixarem, em 1700, na Vila Real de Queluz (atual Conselheiro Lafaiete), os exploradores fundaram o arraial de Congonhas do Campo, em 1734. A descoberta de ouro no rio Maranhão levou a população a se fixar nas proximidades.

A palavra Congonhas deriva do tupi-guarani. "Kõ" e "gõi" significam "O que sustenta" ou "O que alimenta". Congonha é um tipo de erva utilizada para fazer chá. Entre os portugueses que fundaram o arraial de Congonhas, estava o minerador Feliciano Mendes. Ele foi o responsável pela construção do principal monumento da cidade, o santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, localizado no alto do morro do Maranhão.

A construção surgiu como resposta a uma promessa. Doente, Feliciano Mendes fez uma promessa de dedicação ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos caso recuperasse a saúde. Quando se refez da enfermidade, começou a trabalhar para edificar o santuário, em 1757. Todo o santuário tem concepção de Aleijadinho e o local se tornou centro de devoção popular e alvo de peregrinações de fiéis até hoje.

Em 17 de dezembro de 1938, foi criado o município de Congonhas do Campo. Só em 1948 o nome foi alterado para Congonhas. A cidade se desenvolveu em virtude das instalações de siderúrgicas, que buscavam a exploração das jazidas de ferro na região.

Os eventos mais importantes da cidade são as festas religiosas, como o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em setembro, e a Semana Santa, quando há a encenação do Auto da Paixão. Há também os eventos culturais como a Semana do Aleijadinho, que acontece em agosto, e o Festival de Cultura Popular, em julho.

Congonhas tem 45 mil habitantes, segundo estimativas em 2006. O clima é ameno e a temperatura média de 20º C. Principais distâncias: Belo Horizonte (89 km), São Paulo (596 km), Rio de Janeiro (356 km) e Brasília (794 km).

Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959) e Câmara Municipal de Congonhas

A cidade

Mariana é a primeira cidade de Minas Gerais e foi criada no período colonial, por efeito das expedições bandeirantes no século 17, em busca de ouro e pedras preciosas. Localizada na região Central do Estado, sua ocupação começou em 16 de julho de 1696, quando as bandeiras de Salvador Fernandes Furtado de Mendonça e Miguel Garcia chegaram ao ribeirão do Carmo. O nome foi escolhido para homenagear aquela data que, na tradição católica, é dedicada à Nossa Senhora do Carmo. Ao realizar a primeira missa, no mesmo dia de chegada, fundou-se o arraial, batizado de Nossa Senhora do Carmo, iniciando-se também a construção de uma capela.

A área era rica em ouro, que surgia no leito do ribeirão, nas encostas e nos morros. Mariana possuía valor estratégico para a Coroa, tanto que recebeu este nome em deferência a D. Maria Ana D'Áustria, mulher de D. João 5º, rei de Portugal. Além de primeira cidade, ocupa a posição de primeira capital e primeira sede do bispado em Minas Gerais. Sua forte tradição religiosa, mantida através dos séculos, vem desde seu início e passa pela fundação do Seminário Menor. Com sua bela capela, obra iniciada em 1750 e concluída entre 1780 e 1790, o seminário se constitui no primeiro centro educacional de Minas, de onde saíram várias personalidades, não só na religião, mas nas letras, na magistratura e na política.

Já em 1743, o governo português enviou o engenheiro militar José Fernandes Alpoim para desenhar a planta da cidade, o que a transformou na primeira localidade de Minas Gerais a ter um planejamento urbano. Seu desenho urbano é formado por uma sucessão de praças, igrejas e capelas, que revelam aspectos característicos do barroco, estilo dominado por curvas, visão em profundidade e gosto pelos contrastes claro e escuro. Essa arquitetura está representada na praça Minas Gerais, onde ficam as igrejas de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo, uma ao lado da outra, fato raro na história das construções religiosas.

Um dos atrativos da cidade é o órgão Arp Schnitger, que está na Catedral de Nossa Senhora de Assunção. Construído em 1701, na Alemanha, o instrumento chegou a Mariana em 1753, como presente da Coroa portuguesa. Hoje, é o único exemplar, dos 30 Schnitger que ainda existem no mundo, que está fora da Europa.

A cidade é a terra natal de pessoas importantes para a história de Minas Gerais. Lá, nasceram, por exemplo, Cláudio Manuel da Costa, poeta e um dos líderes da Inconfidência Mineira, o mais importante movimento de rebeldia contra a Coroa portuguesa, ocorrido em 1789, e Manuel da Costa Athaíde, principal pintor do período colonial, autor de painéis da igreja de São Francisco de Assis, local onde está enterrado. Em 1945, o presidente Getúlio Vargas concedeu a Mariana o título de Cidade Monumento.
 
Mariana tem cerca de 53 mil habitantes, segundo estimativas de 2006. A temperatura é amena, com média de 21º C. Principais distâncias: Belo Horizonte (115 km), Ouro Preto (12 km), São Paulo (685 km), Rio de Janeiro (485 km) e Brasília (832 km).

Fontes: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959), Guia dos Bens Tombados: Minas Gerais (Wladimir Alves de Souza, Editora Expressão e Cultura, Rio de Janeiro, 1984), Mariana - Primeira Capital de Minas Gerais (João Orestes , Editora do Autor, 2005) e Prefeitura de Mariana.

A cidade

Localizada na região Central de Minas Gerais, a cidade de Ouro Preto reúne o maior e mais importante acervo da arquitetura e da arte do período colonial de todo o Brasil. Em meio ao casario dos séculos 17 e 18, construído nas ladeiras de uma região montanhosa, erguem-se 13 igrejas monumentais, com altares banhados a ouro e imagens sacras, nos estilos barroco e rococó. Pelo seu porte e conservação, Ouro Preto foi uma das primeiras cidades escolhidas no mundo para ser Patrimônio da Humanidade, em 1980, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Sua origem data da última década do século 17, com a descoberta do ouro no leito de um córrego, fato que atraiu centenas de bandeirantes paulistas e fez a riqueza da região por quase um século. Na aparência, eram pedras de superfície escura; daí, o nome ouro preto. Depois de fundido, revelava-se o amarelo.

Batizou-se o povoamento de Vila Rica de Albuquerque, em 8 de julho de 1711, data oficial de sua fundação. A administração portuguesa reconheceu-a, no ano seguinte, com o nome simplificado de Vila Rica. Baseado na exploração do ouro, seu apogeu econômico deu-se no período de 1730 a 1765, quando se consolidou como um centro urbano com uma população estimada em 25 mil habitantes.

Para a história do Brasil, Ouro Preto apresenta grande relevância como palco da Inconfidência Mineira, o principal movimento de contestação à metrópole portuguesa, ocorrido em 1789. A traição de um de seus integrantes levou a Coroa a descobrir a conspiração em Vila Rica, reprimindo-a duramente. Considerado o principal líder insurgente, o alferes Joaquim José da Silva Xavier, apelidado de Tiradentes, acabou enforcado e esquartejado no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1792.

O motivo imediato da revolta era a cobrança de impostos atrasados, o quinto sobre toda a extração de ouro, tributo estabelecido pelo governo português. Entre os rebeldes, havia um grupo de intelectuais bem informados sobre as idéias difundidas por ocasião da independência das 13 colônias inglesas na América do Norte (1776) e nos antecedentes da Revolução Francesa (1789). Entre seus planos, estavam a separação de Portugal e a fundação de uma república no Brasil. À memória do movimento, é dedicado o imponente Museu da Inconfidência.

A riqueza da economia baseada na mineração de ouro em Vila Rica deixou um legado de grande valor para a cultura. Ali, projetaram-se dois dos maiores artistas do período colonial brasileiro: o arquiteto, escultor e entalhador Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e o pintor Manuel da Costa Athaíde.

A arquitetura religiosa do período leva a marca da ostentação e do luxo, como pode ser observado nas igrejas de Nossa Senhora do Pilar, São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Rosário e de Santa Efigênia. Uma das soluções originais deu-se com o largo emprego da pedra-sabão, abundante na região, como forma de substituir o mármore europeu. Os chafarizes de Marília e do largo de Frei Vicente Botelho acrescentam uma graça ainda mais especial ao tortuoso traçado urbano.

Vila Rica tornou-se a primeira capital de Minas Gerais, já em 1721. Mudou o nome para Ouro Preto, em 1823, e permaneceu como capital até 1897, quando a sede do Estado passou a ser Belo Horizonte. Em 1933, o então presidente da República, Getúlio Vargas, concedeu-lhe o título de Cidade Monumento.

Ouro Preto tem cerca de 69 mil habitantes, segundo estimativas em 2006. Principais distâncias: Belo Horizonte (95 km), Rio de Janeiro (475 km), São Paulo (675 km) e Brasília (840 km).

Fontes: Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana (Fundação João Pinheiro, 1973); Dicionário Histórico Brasil: Colônia e Império, de Angela Vianna Botelho e Liana Maria Reis (Editora Autêntica, 2001); Dicionário do Brasil Colonial 1500-1808, direção de Ronaldo Vainfas (Editora Objetiva, 2000); e Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959)
 

A Cidade de Sabará

Uma das mais tradicionais cidades mineiras, Sabará foi importante na época da exploração do ouro em Minas Gerais.

Sua descoberta é contestada entre historiadores. Não há consenso de que o bandeirante paulista Manoel de Borba Gato tenha sido o desbravador da região. Alguns especialistas apontam Manoel Afonso Gaia como o primeiro povoador. Certo é que Borba Gato fundou a então Vila Real de Nossa Senhora da Conceição de Sabarabussu, em 1711.

A vila foi um dos maiores produtores de ouro da Coroa portuguesa, tanto que recebeu a Casa da Intendência para a cobrança do quinto (o imposto de 20% que o governo português cobrava de toda a extração mineral na colônia).

A produção era tanta que a cidade alcançou prestígio e riqueza. Recebeu, como prova, de d. Pedro 1º o nobre título de Fidelíssima, em 1823. Em 6 de março de 1838, foi elevada à categoria de cidade, quando recebeu o nome de Sabará.

Em virtude da sua alta produção de ouro, a cidade possui rico acervo sobre o período, em museus e igrejas.

Sabará está localizada a 19 km da capital Belo Horizonte e possui 133.225 habitantes (Fundação João Pinheiro, estimativa 2006).

Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 2000).

A cidade

A história do município de São João del Rei, em Minas Gerais, está associada à descoberta do ouro na região, no começo do século 18. Da riqueza do período colonial, a cidade preservou um magnífico acervo arquitetônico e cultural, representado, entre outros exemplos, pelas igrejas de São Francisco de Assis, Matriz de Nossa Senhora do Pilar e Nossa Senhora do Rosário, pela ponte da Cadeia e a Casa de Bárbara Heliodora.

Além do núcleo histórico preservado, outras atrações turísticas são o Museu Regional e o Complexo Ferroviário, construído em 1878 e fundamental para o progresso da cidade. Os visitantes também se impressionam com o badalar freqüente dos sinos das igrejas, emitindo uma música característica para fatos do cotidiano cidade, como uma missa, uma morte ou solenidade. Por este motivo, a cidade ganhou o título informal de "Terra onde os sinos falam".

São João del Rei é a terra natal de Tancredo Neves (1910-1985), presidente da República eleito em 1985, governador de Minas Gerais (1983-1984), ministro da Justiça na segunda gestão do presidente Getúlio Vargas (1953-1954), primeiro-ministro no curto período parlamentarista brasileiro (1961), deputado e senador. Seu corpo foi sepultado no cemitério da Ordem Terceira de São Francisco, que fica na igreja de São Francisco de Assis.

De acordo com a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os primeiros povoadores da região foram paulistas, procedentes da cidade de Taubaté. Entre eles, estava Tomé Portes del Rei, que se fixou às margens do rio das Mortes, localidade a que chamavam de Porto Real da Passagem. A ele se atribui a descoberta do ouro, em 1792. Ali, formou-se o primeiro arraial.

Em 1704, novas descobertas de ouro atraíram levas de mineradores, fazendo surgir um novo aglomerado, que deu origem à futura São João del Rei. Os paulistas ergueram no local a primeira capela, consagrada a Nossa Senhora do Pilar. Escolhido quando o povoado se tornou vila em 1713, o nome de São João del Rei prestava uma homenagem ao rei D. João 5º, de Portugal.

As disputas pelo direito de explorar o ouro chegaram ao ponto máximo nos sangrentos episódios da Guerra dos Emboabas, de 1707 a 1709. O conflito armado se deu em várias localidades de mineração, entre elas a futura São João del Rei. Enfrentaram-se paulistas, de um lado, e, de outro, os mineradores e comerciantes vindos de outras capitanias e de Portugal, que receberam o nome pejorativo de emboabas, alusão ao fato de usarem botas.

Na antiga área geográfica do município de São João del Rei fica a fazenda do Pombal, onde nasceu o alferes Joaquim José da Silva Xavier (1746 - 1792), o Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira, o movimento rebelde contra a dominação da Coroa portuguesa. Com o desmembramento em 1962, a fazenda passou à jurisdição do município de Ritápolis. Em 1789, São João del Rei foi cogitada para ser capital de Minas pelos inconfidentes.

O tombamento do acervo arquitetônico e paisagístico da cidade se deu em 1938 e 1947. O núcleo histórico preservado constituía, na época, a área mais íntegra. O conjunto de bens imóveis tombados totalizava mais de 700, com prédios, igrejas capelas, pontes, chafariz e o Complexo Ferroviário.

A cidade, localizada na região Central de Minas, tem cerca de 83 mil habitantes, segundo estimativas para 2006. O clima é ameno e apresenta temperatura média de 19º C. Principais distâncias: Belo Horizonte (185 km), Tiradentes (14 km), São Paulo (480 km), Rio de Janeiro (330 km) e Brasília (930 km).

Fontes: Francisco Iglésias (in São João Del Rei na História de Minas e do Brasil, Editora Expressão e Cultura, Rio de Janeiro, 1986); Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959); Atlas dos Monumentos Históricos e Artísticos de Minas Gerais. Circuito do Ouro. Campos das Vertentes, vol. 2 (Fundação João Pinheiro, 1981) e inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

A cidade

Povoada a partir de 1702, a cidade de Tiradentes, na região Central de Minas Gerais, homenageia em seu nome o alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido pelo apelido de Tiradentes. O alferes nasceu na Fazenda do Pombal, entre Tiradentes e São João del Rei, e se tornaria o líder da Inconfidência Mineira, principal movimento de contestação à Coroa portuguesa, no século 18. Nas duas últimas décadas, a cidade se tornou um dos pontos turísticos mais requisitados no Estado, ao aliar a simplicidade e o colorido de suas casas coloniais à oferta de pousadas bem cuidadas, restaurantes requintados e a badalação social.

Poucas ruas formam a cidade de 6.500 moradores, entre eles, algumas centenas de profissionais das mais diversas áreas que optaram por dividir suas moradias entre o agitado eixo Rio¿São Paulo¿Belo Horizonte e o clima pacato nas montanhas, construindo casas na região. Artistas e artesãos também montaram ali seus ateliês. Tiradentes vive seu auge cultural com a Mostra de Cinema, em janeiro, e o Festival Internacional de Gastronomia, em agosto, duas boas opções do calendário nacional de eventos. Os passeios de charrete e a viagem no trem Maria Fumaça entre Tiradentes e São João del Rei estão entre os seus principais atrativos. A boa infra-estrutura da cidade garante conforto e segurança aos visitantes.

A Matriz de Santo Antônio, cuja fachada é de autoria do arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e o chafariz São José, são exemplos da bem-preservada herança colonial. Tiradentes tem sua história iniciada em 1702, quando os primeiros bandeirantes, chefiados por João Siqueira Afonso, após a descoberta de ouro num local chamado Ponta do Morro, se fixaram na região. Eles chegaram na seqüência dos mineradores que, no final do século 17, se estabeleceram na região que viria a ser conhecida como Ouro Preto.

O grande fluxo de garimpeiros, motivados pelas novas jazidas, levou o local a se tornar arraial da Ponta do Morro de Santo Antônio. A importância do povoado era tanta que, somada à abundância de ouro, logo em 1718 se tornaria vila de São José. As construções da primeira metade do século 18, tanto as moradias como as edificações religiosas, tomaram espaço nos pontos altos da região. As casas se elevaram ao redor de igrejas e capelas, configuração que permanece até hoje.

Tiradentes foi cenário de fatos importantes da história nacional. Em 1708, a Guerra dos Emboabas, conflito entre paulistas donos de minas e portugueses e garimpeiros, chamados pejorativamente de emboabas, teve um dos seus capítulos mais violentos na Ponta do Morro. Mais tarde, em 1789, a conspiração dos inconfidentes teve ramificações na cidade, que foi residência do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Devido à mudança da jurisdição da Fazenda do Pombal, distrito onde nasceu o alferes, a cidade de Tiradentes se considera hoje a terra natal do líder dos inconfidentes. Na época, Pombal fazia parte da vizinha São João del Rei.

Em 7 de setembro de 1889, a vila tornou-se cidade de São José, para em 6 de dezembro adotar o nome atual em homenagem ao mártir da Inconfidência. Atualmente, o dia da cidade é comemorado em 19 de janeiro, data em que o arraial da Ponta do Morro de Santo Antônio se tornou vila.

Tiradentes tem clima ameno e a temperatura média de 19º C. Principais distâncias: Belo Horizonte (210 km), São João del Rei (14 km), São Paulo (485 km), Rio de Janeiro (335 km) e Brasília (915 km).

Fontes: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959) e Prefeitura de Tiradentes.

Capela de Nossa Senhora do Ó

 

Deve-se aos devotos de Nossa Senhora da Expectação a construção da capela, inicada em 1717 e finalizada em 1720.

Apresenta planta em dois cortes, correspondentes à nave e à capela-mor. A fachada é cortada em três planos, com paredes em tijolos e cunhais em madeira, vãos frontais também em madeira e porta almofadada. A torre central possui sineira vazada em três vãos.

A nave apresente 15 painéis emoldurados, com pintura decorativa em ramagens e cartelas contendo símbolos da Virgem e pinturas figurativas alusivas ao nascimento e infância de Cristo. O arco-cruzeiro, com trabalhos em talha dourada, apresenta pintura em pequenos painéis em moldura octogonal, em estilo e motivos chineses, pintados em ouro sobre o azul.

A capela-mor possui seis painéis no forro contendo cenas referentes à vida de Maria. Nas paredes laterais, estão cenas alusivas à Sagrada Família. A imagem da padroeira se encontra no trono, no altar-mor.

A unidade decorativa do seu interior advém, principalmente, da harmonia conferida pelos elementos de policromia, o ouro, o vermelho e o azul, de gosto orientalizante, inspirado talvez na louça de Macau, largamente usada no Brasil naquela época, segundo estudo do arquiteto e pesquisador da arte mineira, Sylvio de Vasconcelos.

Fonte: Revista Barroco.

Capela de Nossa Senhora do Pilar

A capela de Nossa Senhora do Pilar, construída entre 1759 e 1762, possui alto nível de acabamento das obras, principalmente na ornamentação, marcada pelo gosto rococó, então vigente nas últimas décadas do século 18. Pesquisadores consideram que o altar-mor e os dois pequenos altares da nave denunciam a influência do Aleijadinho.

De planta dividida em nave e capela-mor, a capela possui estrutura de alvenaria de pedra e cobertura de telhas curvas. A fachada principal é enquadrada por pilastras. Ao lado esquerdo da capela, sobre a sacristia, encontra-se uma torre de sino, com parte superior ladeado por pequenas pirâmides e encimado pela figura de um galo.

Internamente, a nave tem forro de madeira com pintura decorativa alusiva à Santíssima Trindade e paredes laterais com painéis pintados. A capela-mor, separada da nave por grade de madeira, possui piso tabuado, forro de madeira com pintura decorativa e painéis pintados nas paredes. A tribuna do trono, de perfil recortado e fundo em pintura decorativa, apresenta decoração em cabeças de anjos em relevo.

Fonte: Revista Barroco

Capela de São Sebastião

Capela de São Sebastião

Foto: Alexandre C. Mota

A Capela de São Sebastião, em Ouro Preto, foi construída por iniciativa dos moradores do morro de mesmo nome, em 1753, no local onde teria existido um templo no início do século 18. Uma das poucas indicações sobre o ano de construção está sobre o arco-cruzeiro (arco que separa a nave da capela-mor), onde pode ser lida a data de 1753.

Sua planta é simples, formada pela nave, capela-mor e sacristia. A capela é feita de pedra talhada, possui duas sineiras na fachada e uma cruz no cume do edifício. Os sinos estão localizados num campanário isolado do templo. O entorno da capela é todo murado. Na parte interna, há apenas o altar-mor, com as imagens do padroeiro e de Nossa Senhora da Conceição no trono. Possui imagens de são Domingos, santa Ana, Nossa Senhora da Saúde e são Miguel na sacristia.

As etapas da construção no século 18 são obscuras e pouco se sabe também sobre a autoria do projeto e a responsabilidade de execução das obras. Existem documentos que apontam para uma grande reforma em 1837, quando foram remodelados os corredores, a sacristia, forro, piso e janelas, além de a capela-mor e o arco-cruzeiro passarem por novo acabamento.

Fonte: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/137 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975