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Turismo

Belo Horizonte

Foto: Alexandre C. Mota

A cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, tem história recente, num Estado de antigas tradições. Foi fundada em 12 de dezembro de 1897, cerca de 150 anos após a criação da primeira cidade mineira, Mariana, em 1745. Sua localização está na Região Sudeste do Brasil, formada ainda pelos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

A região de Belo Horizonte começou a ser povoada em 1701, pelo bandeirante João Leite Ortiz. Em suas terras, nasceu o arraial de Curral del-Rei, em 1707, nome que iria perdurar até a fundação da nova cidade. Em 1893 foi promulgada da lei que determinava a mudança da capital Vila Rica (atual Ouro Preto) para Belo Horizonte.

A cidade foi construída de forma planejada, inspirada nos modelos urbanos de Paris e Washington.

A capital é emoldurada pela Serra do Curral e apresenta diversas atrações em sua paisagem urbana, com destaque para o Conjunto Arquitetônico da Pampulha e da Praça da Liberdade. A Pampulha foi erguida entre 1942 e 1943, durante a administração de Juscelino Kubitschek (1902-1976) na prefeitura. Um de seus principais atrativos, a igreja de São Francisco de Assis é o cartão postal de Belo Horizonte e um dos principais trabalhos do arquiteto Oscar Niemeyer, que se tornou mundialmente conhecido pela construção de Brasília. Já o conjunto da Praça da Liberdade, onde está localizado o Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, data da época da fundação da capital, entre 1895 e 1897.

A cidade possui bairros com forte vocação para diversos tipos de comércio - do popular ao de alto luxo - e vida noturna intensa, que lhe deu o título informal de "a capital brasileira dos bares", pela quantidade de estabelecimentos espalhados pelos bairros que animam a noite belo-horizontina.

Outros importantes atrativos turísticos de Belo Horizonte são o estádio Mineirão, o Mercado Central, o Museu Histórico Abílio Barreto, o Museu de Artes e Ofícios localizado na Praça da Estação, os parques Municipal e das Mangabeiras, o Palácio das Artes e a praça do Papa  -  de onde se tem uma excelente vista panorâmica.

Belo Horizonte tem 2,4 milhões de habitantes. É a quarta capital mais populosa do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A Região Metropolitana possui 33 municípios e 4,5 milhões de habitantes. A temperatura é amena, com médias de 22º C. Principais distâncias: São Paulo (586 km), Rio de Janeiro (435 km) e Brasília (740 km).

Fontes: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959), Belotur e Prefeitura de Belo Horizonte

Casa do Baile

 

Casa do Baile

Foto: Alexandre C. Mota

Construção de 1943, a Casa do Baile, em Belo Horizonte, integra o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer. É a única edificação do conjunto construída dentro da lagoa, em uma ilhota artificial acessível por uma ponte. No local, há também um auditório e um pequeno palco, circulado por um lago. Os jardins levam a assinatura do paisagista Burle Marx.

Sobre a presença marcante das linhas arredondadas, Niemeyer explicou, certa vez: "Fiz a marquise da Casa do Baile em curva, que às vezes explicava, dizendo para melhor me fazer entendido, que elas seguiam as curvas da ilha, mas na verdade era o elemento plástico que me interessava".

Pelo projeto original, a idéia era fazer do local um centro de festas e eventos para a classe média, mas acabou freqüentado pela elite da cidade. Com a proibição do jogo, em 1946, o Cassino, que funcionava no atual Museu de Arte, foi obrigado a fechar as suas portas, do outro lado da lagoa. Com o movimento reduzido na Pampulha, até então uma área sem vias de ligação fáceis com o centro da cidade, a Casa do Baile também se viu obrigada a paralisar suas atividades.

Um dos marcos da arquitetura modernista brasileira, o Conjunto da Pampulha foi uma iniciativa do então prefeito da capital mineira, Juscelino Kubitschek (1902-1976). Em 1942, ele convidou Niemeyer para elaborar um centro de lazer junto ao lago artificial do novo subúrbio da cidade. Junto com a Casa do Baile, ergueram-se outras três unidades: igreja de São Francisco de Assis, Iate Clube e o Cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha.

A construção do complexo da Pampulha lançou o prefeito e o arquiteto no cenário nacional. Belo Horizonte ganhara respeito por ter se tornado uma cidade que projetava o futuro. Sobre isso, o escritor Fernando Sabino escreveu em Lugares-Comuns: "Às vezes, cruzando calmamente a rua, transeunte como outro qualquer, com seu sorriso de simpatia já irresistível, o prefeito Juscelino - a prefeitura era ali perto naquele tempo, e se não me engano ainda é. Tempo de Pampulha, do Niemeyer, da arquitetura moderna. Brasília nasceu ali". Em 1955, JK foi eleito presidente da República e convidou Niemeyer para projetar a nova capital federal, inaugurada em 1960.

Após o seu fechamento, em 1946, a Casa do Baile serviu para eventos da família de JK. Anos depois, foi reaberta, arrendada como restaurante, e chegou a funcionar como depósito da prefeitura. Hoje, abriga o Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, espaço destinado a exposições sobre esses temas, e expõe imagens e dados da região da Pampulha.

Fontes: Juscelino Prefeito (Museu Histórico Abílio Barreto, 2002) e Belotur

Edifício Niemeyer

 

Edifício Niemeyer

Foto: Alexandre C. Mota

Com sua fachada de curvas onduladas, o edifício Niemeyer, em Belo Horizonte, leva assinatura do arquiteto Oscar Niemeyer e é uma das principais referências do modernismo no Brasil. Foi projetado em 1954 e erguido no ano seguinte, uma década depois da construção das quatro obras que o arquiteto desenhou para a Pampulha, entre elas, a Igreja de São Francisco de Assis, a Casa do Baile e o atual Museu de Arte, que o lançaram nacionalmente. O edifício tem 12 andares de utilização residencial, localizado na praça da Liberdade e bem próximo ao Palácio da Liberdade, sede do governo de Minas Gerais.

A forma arredondada e a altura do prédio fazem contraponto aos outros estilos arquitetônicos presentes na praça, como o próprio Palácio da Liberdade, os prédios das secretarias estaduais e o museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães. Este tem estilo pós-moderno e fica do outro lado da praça. No local do prédio de 12 andares, antes existia o Palacete Dolabela.

A plasticidade do concreto armado possibilitou o uso das formas arredondadas, estrutura que tem, como vedações, panos de alvenaria revestidos de azulejos e esquadrias metálicas com vidro. O estilo já havia sido utilizado no conjunto arquitetônico da Pampulha, notadamente na marquise da Casa do Baile. Niemeyer projetou o complexo da Pampulha entre 1942 e 1943, a convite do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek.

Nascido no Rio de Janeiro em 1907, Niemeyer é o principal nome da arquitetura moderna brasileira. A característica de seu traçado, baseado em superfícies curvas e com exploração das possibilidades plásticas do concreto, teve influência inicial do arquiteto suíço Le Corbusier. Após os trabalhos em Belo Horizonte, ele recebeu outro convite de JK, então já presidente da República, para projetar a nova capital federal, Brasília, em 1955. Sua assinatura está presente no edifício da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, no parque do Ibirapuera (SP), na sede do Partido Comunista Francês, em Paris, e na sede da Editora Mondadori, em Milão.

Fontes: Corredor Cultural Praça da Liberdade - Inventário Qualitativo e Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais

Araxá

Termas de Araxá /Divulgação

O primeiro lugar de onde se avista o sol é a definição da palavra araxá em tupi-guarani.  As primeiras referências aos índios Araxás que habitavam a região, datam do século XVI. A presença dos índios e a proximidade com o Quilombo do Ambrósio dificultaram a ocupação das terras. Somente por volta de 1780 surgiram as primeiras fazendas na região.

Com a descoberta de águas ricas em sais minerais e suas propriedades terapêuticas, o povoamento da região se intensificou.

A paisagem de serras, vales, cachoeiras e matas abriga a cidade de Araxá, que nasceu encravada em um vulcão extinto há 90 milhões de anos.

Araxá é uma cidade de porte médio, bem traçada, limpa e acolhedora. Lendas e mitos reforçam o encanto dessa terra.

A famosa D. Beja que viveu em Araxá no século XIX foi uma mulher que contrariou padrões de comportamento de sua época. De beleza e coragem indescritíveis, participou de movimentos políticos locais e teve sua vida transformada em novela de televisão. O Museu de Dona Beja abriga objetos e documentos relativos à história e às tradições culturais de Araxá.

Outras estórias são contadas nas ruas de Araxá, como é o caso de Filomena, que também viveu em meados do século XIX.  Acometida por varíola, foi isolada e com o agravamento da doença, teria sido, impiedosamente, enterrada viva. Diante de seu túmulo, foi construída uma pequena capela que, diariamente recebe grande número de visitantes.  Vários milagres foram a ela atribuídos.

Araxá é uma cidade completa em termos de atrativos, guarda encantos que não passam despercebidos pelo turista. A beleza da região é um convite para o ecoturismo.

O alto da Serra da Bocaina é o lugar perfeito para prática de vôo livre. Conhecido como Horizonte Perdido, situa-se no tabuleiro da serra e dela tem-se uma vista panorâmica da região.

O Complexo do Barreiro é uma das melhores atrações turísticas de Minas Gerais. O nome Barreiro vem em decorrência da lama que se forma a partir das fontes naturais da região. São famosos os sabonetes de lama e sais minerais de Araxá. O prédio principal é dos anos 1940 e mantém seu esplendor. Foi restaurado, modernizado e é tombado pelo IEPHA. Os vitrais do saguão das Termas retratam cenas da cidade. Os jardins levam assinatura de Burle Marx e os imponentes salões são de mármore de Carrara e têm lustres de cristais alemães. São 450 mil m² de área verde com lago e fontes de água medicinal além das 5 piscinas, entre as quais uma semi-olímpica. Além de um ser um local extremamente agradável, oferece tratamentos de pele, aromaterapia, cromoterapia, massagens, ducha escocesa, saunas, fisioterapia, ginástica, salões de recreação e beleza. É ideal para o lazer e descanso. Pode-se praticar arvorismo, arco e flecha e tennis. Distante 8 km do centro da cidade, o complexo está incrustado entre colinas e muito verde. No Barreiro, além das fontes e da Mata da Cascatinha, outro atrativo natural é o Lago do Grande Hotel, onde a prática da pesca amadora é permitida. Há, ainda, as opções de ciclismo, rapel, tirolesa, escalada e trekking.

Um delicioso passeio é caminhar até o Parque do Cristo, de lá se tem uma vista panorâmica de Araxá.

Fonte: Descubraminas e Prefeitura de Araxá

Caminho por onde passa a história de Minas Gerais, a Estrada Real remonta ao século 17, associada à exploração do ouro e do diamante no Brasil colonial. Dela fazem parte as vias de acesso, as trilhas calçadas pelos escravos, os pontos de parada, as cidades e vilas históricas, que serviram de cenário à Inconfidência Mineira, principal movimento de contestação à Coroa portuguesa naquela época, liderado pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

 

Inicialmente, a Estrada Real ligava a antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto, ao porto de Paraty, no Rio de Janeiro, o chamado Caminho Velho. A vontade da Coroa portuguesa de escoar mais rapidamente os produtos da mineração em direção aos portos do Rio, e, destes, à Europa, levou à abertura de um Caminho Novo, que ligou o Rio de Janeiro à antiga capital de Minas, Ouro Preto. Com a descoberta das pedras preciosas na região do Serro, a estrada foi estendida até o Arraial do Tejuco (atual Diamantina).

O Caminho Velho foi utilizado a partir de 1694, ligando São Paulo a Minas, numa viagem que demorava 90 dias. Cruzava as atuais regiões de Taubaté, Guaratinguetá, Serra da Mantiqueira, Passa-Quatro, Itanhandu, Pouso Alto, Baependi, Conceição do Rio Verde, Ibituruna, Rio das Mortes, São João del Rei, Mariana e Ouro Preto.

Em 1701, foi aberto o Caminho Novo, cujo trajeto começava na baía de Guanabara e passava pelas localidades de Inhaúma, Iguaçu, Rio Paraíba, Rio Paraibuna, Simão Pereira, Matias Barbosa, Juiz de Fora, Santos Dumont, Barbacena, Conselheiro Lafaiete, Ouro Branco e Ouro Preto. Até 1808, este percurso era interditado a estrangeiros. Em 1729, a descoberta de diamantes no Serro estendeu a Estrada Real até Diamantina.

Fatos históricos ficaram marcados no trajeto. Durante o movimento dos Inconfidentes, por exemplo, as estalagens e os pousos foram utilizados por Tiradentes para pregar a liberdade e a independência do Brasil. D. Pedro 1º também aproveitou para visitar Minas Gerais por este caminho em duas ocasiões: 1822 e 1831.

Três séculos depois, o mesmo caminho por onde foram transportados ouro, diamantes e pedras preciosas de Minas Gerais para o resto do mundo está sendo redescoberto e revitalizado. São 1.410 quilômetros que cortam Minas Gerais, Rio de Janeiro e parte de São Paulo, passando por 177 cidades que possuem um rico acervo histórico, cultural, artístico, gastronômico, rural, religioso. As belezas naturais da região, como serras, cachoeiras, rios e florestas, também integram o patrimônio da Estrada Real.

Hoje, a Estrada Real possui em seu trajeto Patrimônios da Humanidade, como as cidades de Ouro Preto e Diamantina e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, e uma cidade em processo de obtenção deste título (Paraty). Além disso, estão presentes vários patrimônios naturais e histórico-culturais em nível nacional, estadual e municipal.

Essa revitalização é resultado de uma parceria do governo estadual com entidades como a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e o Instituto Estrada Real. O projeto Estrada Real é a principal iniciativa do governo de Minas Gerais na área de turismo e o mais importante programa turístico em implantação no País. Seu objetivo é promover o desenvolvimento dos 162 municípios mineiros situados na área de influência da Estrada Real, por meio do incentivo ao turismo cultural, religioso, histórico e rural, ecoturismo e turismo de aventura.

Feira de Arte e Artesanato da Avenida Afonso Pena

Feira Hippie

Foto: Alexandre C. Mota

Considerada a maior exposição de artesanato de toda a América Latina, a Feira de Arte e Artesanato da Avenida Afonso Pena atrai cerca de 60 mil visitantes entre a manhã e o começo da tarde de todos os domingos. São 3.000 expositores que comercializam uma enorme variedade de produtos, como vestuário, bijuterias, cintos, calçados, bolsas e acessórios; flores e arranjos; cestaria, mobiliário, objetos de decoração e utilidades domésticas; tapeçaria, artigos para cama, mesa e banho; artigos infantis, artes plásticas e alimentação. As barracas expositoras possuem cores diferentes e estão divididas em 17 setores.

A cada domingo, as vendas movimentam cerca de R$ 1 milhão e atraem compradores do interior de Minas Gerais e de Estados vizinhos, como Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, além de turistas estrangeiros. A avenida Afonso Pena, onde estão instaladas as barracas, é a principal via do centro de Belo Horizonte, no trecho entre a Rua da Bahia e a Avenida Carandaí. Em uma de suas margens, fica o Parque Municipal, uma das principais áreas verdes da cidade. O parque foi inaugurado em 1897, ano da fundação da capital.

Parte integrante da programação de lazer nos fins de semana na capital, a feira teve sua origem em 1969, na Praça da Liberdade - onde se localiza a sede do governo estadual. A idéia partiu de um grupo de artistas e críticos de arte para criar uma exposição cultural ao ar livre, que, na época, ficou conhecida como Feira Hippie. O objetivo era dar oportunidade a novas gerações de artesãos e artistas. A iniciativa logo se tornou ponto de encontro de várias gerações e despertou a atenção dos visitantes e turistas para a diversidade dos trabalhos expostos.

Com o passar do tempo, a Praça da Liberdade se mostrou insuficiente para atender ao grande afluxo de público, comprometendo a preservação de seus jardins e equipamentos. Em 1991, fez-se a transferência para a Avenida Afonso Pena. Na nova versão, a feira tornou-se ainda mais conhecida e trouxe artesãos e pequenos comerciantes de várias regiões de Minas e de outros Estados, que visitam o local em busca de mercadorias diferenciadas. Muitos chegam à capital em caravanas de ônibus de excursão.

A região se tornou ponto de encontro para os moradores de Belo Horizonte, que fazem da feira um divertido programa de domingo. Em suas barracas, além do variado artesanato, os visitantes encontram pratos típicos da culinária mineira e bebidas. Tudo isso contribui para a feira se transformar em um pólo de lazer e entretenimento.

Em frente ao local onde acontece a feira, estão alguns dos mais importantes bens tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) em Belo Horizonte, como o Automóvel Clube (uma imponente construção de 1943), o Palácio da Justiça Rodrigues Caldas (sede do Tribunal de Justiça do Estado) e o Conservatório de Música de Minas Gerais (outro imóvel da primeira metade do século 20).

Fontes: Belotur, Prefeitura de Belo Horizonte, Presidentes do Brasil (Fábio Koifman, organizador, Universidade Estácio de Sá, Editora Rio, Rio de Janeiro, 2002) e Quem é Quem na História do Brasil (Editora Abril, São Paulo, 2000)

A gruta da Lapinha, localizada no município de Lagoa Santa (MG), possui 40 metros de profundidade e 511 metros de extensão abertos à visitação pública. A gruta foi formada a partir de rochas calcárias formadas pelos restos marinhos do fundo do mar raso da bacia do rio das Velhas, de restos que foram acumulados em camadas superpostas e trabalhados pela erosão provocada pelas correntes marinhas e aéreas.

A gruta, de grande beleza cênica, foi descoberta por volta de 1835 pelo naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund, conhecido como o pai da paleontologia brasileira, que pesquisou toda a região. Em 1840, Lund descobriu restos de fósseis do primeiro homem americano, como também animais pré-históricos que viveram há 25 mil anos, dentre eles o tigre dente de sabre, a preguiça gigante e o tatu gigante. No espaço cultural anexo à gruta, uma réplica de uma preguiça gigante está em exposição.

Os salões, galerias e labirintos são de extraordinária beleza e foram batizados de acordo com as imagens que sugerem, por exemplo, Véu da Noiva, Cascata de Luz, Salão de das Cortinas, Couve-Flor, Presépio e Sino.

Com iluminação em todas as galerias, a gruta possui escadas que facilitam o acesso a todas as seções permitidas à visitação.

A Lapinha possui grande valor arqueológico e paleontológico. Em seu interior, foram descobertos fósseis humanos e ossos pré-históricos, como o famoso crânio do ¿Homem de Lagoa Santa¿, que indica a existência do homem na região há mais de 10 mil anos.

Fontes: Atlas Turístico do Estado de Minas Gerais e Secretaria Municipal de Turismo de Lagoa Santa.

Gruta de Maquiné

Alexandre C. Mota

A gruta de Maquiné, localizada em Cordisburgo (MG), foi descoberta em 1825 pelo fazendeiro Joaquim Maria do Maquiné, então proprietário das terras. Foi pesquisada a partir de 1834 pelo naturalista dinamarquês Peter Lund, chamado de o pai da paleontologia brasileira. Está aberta para visitação pública desde 1967, mas parte da gruta permanece fechada.

A gruta apresenta sete salões grandes ligados por meio de estreitas passagens, num total de 650 metros lineares e desnível de apenas 18 metros. Cada salão recebeu uma denominação de acordo com as figuras que aparecem em seu interior. São eles: Vestíbulo, Colunas, Altar ou Trono, Carneiro ou Elefante, Piscinas e Fadas. A sétima câmara é dividida em duas partes, Dr. Lund e Cemitério, esta última fechada à visitação.

A gruta é formada por rochas de origem sedimentar do fundo de mares antigos, da Era Neoproterozóica (1.000 a 545 milhões de anos atrás), que têm como base o calcário composto do mineral calcita. Lund definiu assim a origem da gruta: A caverna teria se formado na época em que grandes regiões do país, atualmente secas, se achavam cobertas de grandes lagos ou jaziam ainda no fundo do mar.

O preparo de iluminação e as passarelas possibilitam aos visitantes vislumbrar as suas maravilhas com segurança. Todo percurso é acompanhado por um guia local. Durante sua pesquisa, disse Lund, ao explorar um dos salões: A mais rica imaginação poética não saberia engendrar uma tão esplêndida morada para os seres maravilhosos; diante desta notável gruta, ela seria forçada a confessar sua impotência. Quanto a mim, confesso que nunca meus olhos viram nada de mais belo e magnífico nos domínios da natureza e da arte.

Repleta de ornamentos naturais, a gruta apresenta um belo acervo de espeleotemas (formações de cristais). Os principais são as estalactites (formas pontiagudas que nascem a partir do teto), estalagmites (formas que crescem a partir do chão), colunas e cortinas.

Além do valor espeleológico, a gruta de Maquiné possui importância arqueológica (estudo do passado do homem) e paleontológica (estudo de fósseis animais). Nela, foram encontradas ossadas humanas, material lítico (em pedra) trabalhado com arte e restos de megatérios (mamíferos que viveram no período quaternário).

Lund permaneceu na caverna por quase dois anos para realizar os seus estudos. Nesse período, descobriu restos humanos e de animais fossilizados do quaternário, como esqueletos de aves fossilizadas com envergadura de até 3 metros.

Na gruta, também achou esqueletos de preguiças, em 1835. Eram poucas peças da menor preguiça da família dos megaloniquídeos, que tinha o tamanho de uma ovelha hoje, já foram identificadas 13 espécies de preguiça no Brasil. Há 12 mil anos, existiam, no Brasil, preguiças enormes, que chegavam a ter o tamanho de um elefante. São chamadas preguiças terrícolas, por viverem na terra. As espécies que restaram hoje vivem em árvores e são denominadas arborícolas.

Fontes: Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, Atlas Turístico do Estado de Minas Gerais, revista Ciência Hoje, Prefeitura de Cordisburgo, Contribuições no Desenvolvimento de um Plano de Manejo em Ambiente Cavernícola: Gruta do Maquiné - Um Estudo de Caso (Guilherme F. P. de Aguiar e Thiago F. Lima, 2005, Centro Universitário Newton Paiva) e Peter Wilhelm Lund e sua Visão das Cavernas (Augusto Auler, 2002, revista O Carste)

 

Gruta Rei do Mato

Alexandre C. Mota

Localizada em Sete Lagoas (MG), a gruta Rei do Mato está aberta para visitação pública desde 1988 e exibe quatro salões: Couve-Flor, Desabados, Principal e Raridade. Dos 998 metros de extensão da gruta, a visitação é permitida em apenas 220 metros. Este limite se justifica pelo fato de a gruta ainda ser considerada "viva" pelos cientistas.

A ação da água é responsável pela formação de espeleotemas, espécie de esculturas que ornamentam as cavernas. Esses cristais, geralmente brancos e brilhantes, são moldados a partir de substâncias químicas ou sais minerais das rochas que, aos poucos, são transportados pela água. Alguns espeleotemas adquirem formas conhecidas, como de vegetais e objetos, que ajudam a batizar os salões.

Nas câmaras de Rei do Mato, as estalagmites (formas arredondadas que crescem a partir do chão) impressionam pela beleza. A gruta também possui conjuntos de grande expressão de escorrimentos (formações que cobrem as paredes, também chamadas de cascatas de pedras) e estalactites (formas pontiagudas que nascem a partir do teto). Outro destaque que impressiona pela beleza são as colunas, um tipo de formação escultural que resulta do encontro de estalagmites e estalactites, gerando uma peça única.

Na sala conhecida como Principal, dois espeleotemas chamam a atenção por sua forma: o estalactite Cenourão, de cor alaranjada, e a coluna Sorvetão. O salão Desabados é um dos mais importantes da Rei do Mato por possuir formações raras, como duas colunas cilíndricas e harmônicas compostas de cristais de calcita, com diâmetro médio de 20 cm a 30 cm e altura aproximada de 20 metros.

O projeto de iluminação foi elaborado especificamente para a gruta Rei do Mato pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). As luzes se desligam automaticamente após a passagem do grupo visitante. Esse recurso ajuda a reduzir as variações térmicas prejudiciais ao ecossistema da gruta.

O local teria sido descoberto na década de 1920, mas apenas no final dos anos 60 é que o seu interior começou a ser explorado. O primeiro homem a entrar em seus salões, segundo a tradição oral, teria sido José Eloy de Deus. O nome Rei do Mato surgiu de um ermitão que morava na caverna na época das primeiras explorações.

Fontes: Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, Atlas Turístico do Estado de Minas Gerais e Ministério do Turismo

Igreja da Pampulha (São Francisco de Assis)

Igreja da Pampulha

Foto: Alexandre C. Mota

Erguida em 1943, a igreja de São Francisco de Assis, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, é considerada um marco na história da arquitetura brasileira e o primeiro trabalho de expressão do jovem arquiteto Oscar Niemeyer, que veio a se tornar mundialmente famoso com as obras de construção de Brasília. Junto com a Casa do Baile, o Cassino (hoje Museu de Arte da Pampulha) e o Iate Clube, a igreja compõe o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, todos concebidos por Niemeyer.

Marcado por curvas que fazem uma alusão às montanhas de Minas Gerais, o desenho da igreja traz uma sucessão de abóbadas (tetos arredondados): duas principais que cobrem a nave e o santuário, e três secundárias, que envolvem a sacristia e anexos. Na fachada principal, uma marquise reta conduz à torre que emerge na lateral. “Era um protesto que eu levava como arquiteto, de cobrir a igreja da Pampulha de curvas, das curvas mais variadas, essa intenção de contestar a arquitetura retilínea que então predominava”, explicou Niemeyer, anos mais tarde.

Com as formas mais livres presentes neste projeto, Niemeyer aventurou-se pelas qualidades plásticas do concreto armado, revelando seu gosto pelas linhas sinuosas. Pela primeira vez em edificações católicas no Brasil, foram usados traços muito diferentes da tradição religiosa, marcada pelos prédios robustos e imponentes do período colonial.

No início da década de 1940, o modernismo brasileiro encontrou na capital mineira o espaço ideal para, finalmente, chegar à arquitetura, depois de ter florescido na literatura, nas artes plásticas e na música. O visionário Juscelino Kubitschek (1902-1976), então prefeito da cidade, convidou, em 1942, o arquiteto Oscar Niemeyer, para elaborar o projeto de um centro de lazer junto ao lago artificial do novo subúrbio da cidade, a Pampulha. Quando assumiu a Presidência do Brasil (1956-1961), Juscelino deu a Niemeyer a tarefa de projetar Brasília, o que o tornou um dos mais importantes arquitetos do século.

A convite de Niemeyer, artistas importantes participaram da construção da igreja.

Cândido Portinari - O artista plástico é autor do painel externo em azulejo azul e branco, na fachada posterior da igreja, que retrata cenas da vida de são Francisco. Fez também o mural do altar principal e os 14 pequenos quadros que retratam a Via Sacra. Destaca-se o painel em cerâmica que reveste o púlpito, na parede exterior do batistério e no balcão.

Alfredo Ceschiatti - Autor dos painéis em bronze, esculpidos em baixo relevo, no interior do batistério, retratando a expulsão de Adão e Eva do paraíso. Suas esculturas acompanham sempre os grandes trabalhos de Niemeyer e estão presentes no Palácio da Alvorada, na praça dos Três Poderes e na catedral, em Brasília.

Burle Marx - Os jardins da igreja são assinados pelo maior paisagista brasileiro, cujos trabalhos também podem ser vistos no Cassino (hoje Museu de Arte da Pampulha) e na Casa do Baile. Nascido em São Paulo, em 1909, Burle Marx também foi desenhista, pintor e ceramista, entre outras atividades.

Paulo Werneck - Nas laterais da abóbada da nave, encontram-se os mosaicos em azul e branco do pintor, desenhista e ilustrador, que introduziu a técnica de mosaico no Brasil. Feitos em pastilhas, trazem desenho modernista típico da época.

Em 2005, a igreja passou por obras de recuperação e restauração. Também foi criado o projeto de iluminação das fachadas, que valoriza as formas arredondadas da construção.

Fontes: Inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Fundação Oscar Niemeyer, Projeto Portinari, Projeto Paulo Werneck, Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais e Belotur